Wanda Chase. Foto: Edgar de Souza/IA

Por Tamyr Mota,

Certa feita, ainda menino, acompanhava a gravação de um DVD da Banda Cheiro de Amor, pelos idos de 2008, no Forte São Marcelo, localizado no meio do mar da Baía de Todos os Santos, em Salvador. Ao meu lado estavam grandes jornalistas, convidados pelo grupo, para conhecer o projeto audiovisual em primeira mão, dentre todos, claro, que se destacava ali, Wanda Chase, consolidada e considerada já uma das maiores jornalistas de música e cultura do Brasil. Esse colunista que aqui escreve, aspirante a mesma profissão, mais se atentava ao comportamento dela, do que ao próprio show, tendo em vista que queria entender como o ofício de fazer a cobertura musical de um evento, em um momento em que as redes sociais não tinham força e nem potência, se dava.

Eis que no meio daquele para-para que é comum em gravações deste tipo, Wanda recebe uma ligação, se emudece por minutos, com semblante sério, chegando a passar a imagem de que alguma tragédia tinha ocorrido. Imagem quebrada com um sorriso largo, um levante no corpo, e uma jogada de punho para o ar, dizendo “Nós conseguimos! Viva!”. Pouca gente sabia – talvez naquele momento apenas esse aqui que estava atento a todo dinamismo da grande figura – mas Wanda estava celebrando o fato de que sua amiga e também companheira de jornalismo, Georgina Maynart, fosse assumir pela primeira vez a bancada do principal telejornal que era exibido a rede de comunicação em que trabalhavam. “É uma mulher negra ocupando um espaço de forma inédita. Isso tem que ser comemorado”, disse, me olhando nos olhos. Aquilo me tocou profundamente.

Em um piscar de olhos, em cenários diferentes, mas ainda na nossa Salvador, já com o poder de me expressar publicamente nesta página, pude assistir Wanda Chase, ao lado de Ildazio Tavares Jr., comandar a transmissão do Carnaval 2025 realizada pelo Grupo A TARDE, e em nossa coluna especial, pudemos homenagear a dupla, que mesmo veterana, se mostrou como grande revelação do jornalismo da folia deste ano. Ela então me mandou um WhatsApp e agradeceu pela deferência e escreveu: “Que bom ter agora o seu número de WhatsApp, vamos nos falar mais vezes”, e eu honrado, respondi que estaria sempre ao dispor. No aplicativo a foto de Wanda era linda, sorridente, e coincidência ou não, com os punhos para o alto, como quem seguisse ali defendendo os seus, combativa, assertiva, forte, elegante e sorridente. Poxa Wanda, que pena que não nos falamos mais, mas hoje, essas palavras são exclusivamente dedicadas a você e a sua história linda e inspiradora na comunicação baiana e brasileira.

Adeus, Darling. Vamos fazer seu nome brilhar.

Wanda Chase. Foto: Edgar de Souza.

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