Alex Atala. Foto: Divulgação

Alex Atala, Mara Salles e Edinho Engel voltam a dividir a mesma cozinha no dia 15 de setembro, em Salvador, para revisitar um momento importante da gastronomia brasileira. Os três chefs participam de um jantar especial no restaurante Amado, que propõe um olhar para as transformações da cozinha nacional desde um encontro realizado em 2006. A experiência integra o projeto “20 ANOS sendo AMADO” e também contará com o chef residente Danilo Fernandes, o jornalista Luiz Américo Camargo e o sommelier Manoel Beato, responsável pela harmonização dos vinhos.

O ponto de partida é o “Laboratório de Cozinha Brasileira”, edição especial publicada em setembro de 2006 pelo Paladar, caderno de gastronomia do jornal O Estado de S. Paulo. Na ocasião, Atala, Mara e Edinho reuniram ideias, receitas e reflexões em torno da construção de uma gastronomia brasileira com identidade própria. O encontro deu origem a um manifesto pela valorização dos ingredientes nacionais, das tradições regionais e da aproximação entre chefs, cozinheiros e pesquisadores. Agora, a experiência será revisitada pelos mesmos protagonistas, em uma noite que conecta aquele debate ao cenário atual da cozinha brasileira.

A escolha do Amado para o reencontro cria uma coincidência simbólica. O restaurante também nasceu em 2006, mesmo ano em que o Paladar colocou em discussão os caminhos da gastronomia nacional. Desde então, ingredientes antes associados às cozinhas regionais ganharam espaço em restaurantes de diferentes perfis, pequenos produtores conquistaram visibilidade e técnicas tradicionais passaram a ser pesquisadas e incorporadas por chefs. O movimento também ampliou a presença da gastronomia brasileira no exterior e abriu novas perspectivas para a valorização dos diferentes territórios do país.

Luiz Américo Camargo, que à época era editor executivo e um dos fundadores do Paladar, participou da criação e do desenvolvimento daquela edição. Ao longo dos anos, acompanhou as transformações da gastronomia brasileira e agora retorna ao encontro ao lado de Atala, Mara e Edinho. Manoel Beato completa a mesa e assina a harmonização dos vinhos, enquanto Danilo Fernandes participa como chef residente do Amado. A reunião recupera não apenas uma publicação histórica, mas também uma conversa que ajudou a colocar em perspectiva os caminhos de uma cozinha brasileira com identidade.

O cenário encontrado pelos chefs em 2026 é bastante diferente daquele de duas décadas atrás. Ingredientes nacionais ocupam menus no país e no exterior, a Amazônia ganhou protagonismo no debate gastronômico internacional e as cozinhas regionais passaram a reivindicar com mais força suas próprias identidades. O jantar no Amado transforma essa trajetória em tema de uma noite especial, colocando lado a lado os personagens que participaram daquele debate e as mudanças que marcaram a gastronomia brasileira desde então.

Mara Salles. Foto: Divulgação
Edinho Engel. Foto: Renata Marques

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