Thiago Thomé e Bárbara Carine. Foto: Acervo pessoal

Em parceria com a Editora Caxinguelê, a educadora e escritora Bárbara Carine e o multiartista Thiago Thomé apresentam o selo editorial Atotô, que chega ao mercado com uma plataforma dedicada à valorização de narrativas negras, afrocentradas e decoloniais. A iniciativa também se compromete com a publicação de obras que dialogam com educação, literatura, arte, memória, ancestralidade e transformação social.

Para celebrar a inauguração do Atotô, o casal lança dois livros inspirados em uma viagem que fizeram ao Egito, onde celebraram o casamento em frente às Pirâmides de Gizé. “Cada um encontrou uma forma de traduzir essa experiência: Bárbara pela pesquisa, pela educação e pela reconstrução da memória; Thiago pela ficção, pela aventura e pelo imaginário. No fim, os livros dialogam entre si porque nasceram da mesma travessia: um reencontro com a ancestralidade africana que continua reverberando em nós”, declaram.

Após a abertura da pré-venda, os livros serão lançados oficialmente em uma agenda nacional que inclui o Rio de Janeiro, em 3 de agosto, data que marca os dois anos do casamento civil do casal; a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 6 de agosto; e a FLIPELÔ – Festa Literária Internacional do Pelourinho, em Salvador, no dia 8 de agosto.

Literatura, história e educação

Em “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, Bárbara Carine transforma a experiência vivida no Egito em uma narrativa que aproxima pesquisa acadêmica, relato de viagem e reflexão educacional. Mais do que recuperar fatos históricos, o livro reivindica o direito à memória. Longe de assumir o formato de um livro didático tradicional, a obra é conduzida como uma conversa íntima com o leitor.

A autora compartilha descobertas, inquietações e emoções despertadas ao percorrer os territórios da antiga civilização kemética, convidando quem lê a caminhar ao seu lado enquanto revisita uma história frequentemente contada sob perspectivas eurocêntricas. Mais do que recuperar fatos históricos, o livro reivindica o direito à memória.

Ao articular referências históricas, arqueológicas, filosóficas e educacionais, Bárbara propõe uma releitura de “O Velho Mundo” como parte fundamental da história africana, evidenciando contribuições científicas, tecnológicas, arquitetônicas, artísticas e culturais sistematicamente invisibilizadas pelos processos coloniais.

Em “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári”, Thiago Thomé constrói um thriller arqueológico afrofuturista de ritmo cinematográfico inspirado pelas paisagens, pelos monumentos e pelos mistérios encontrados durante a passagem do casal pelo Egito. A história tem início em 2050, quando o arqueólogo brasileiro Jorge Obaína é levado a revisitar o passado após uma pergunta do neto.

A lembrança o conduz ao Cairo, onde um papiro comprado como souvenir revela uma escrita impossível, desencadeando uma investigação por cidades históricas do Egito. Ao lado da pesquisadora Nádia El-Din, Jorge enfrenta uma rede de contrabando de patrimônio, conspirações internacionais e enigmas ancestrais.

Entre aventura, suspense, romance e memória, Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári dialoga especialmente com jovens leitores e com o público apaixonado por fantasia, arqueologia e cultura pop, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre quem tem o direito de contar a história e quais vozes foram silenciadas ao longo dos séculos.

Thiago Thomé. Foto: Márcio Farias
Bárbara Carine. Foto: Divulgação

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