José Augusto Vasconcelos. Foto: Renata Marques

Após diversos ensaios, shows, festivais e chegar ao seu ápice, o Carnaval, a estação mais esperada do ano rendeu muitos momentos marcantes e com “as águas de março”, como dizia Tom Jobim, se aproxima do fim. Com o término da folia e as ressacas da grande festa de rua, o setor de entretenimento e eventos faz o balanço de como desempenhou o período. Nesta série de entrevistas, o Anota Bahia conversou com empresários e players que deram rosto ao verão baiano com labels e iniciativas inéditas, entendendo as dinâmicas, desafios e surpresas da temporada 2025-26.

Um dos grandes nomes por trás do verão foi o Grupo San Sebastian, um dos responsáveis pela realização do Camarote Baiano, localizado no quarteirão do Hotel Monte Pascoal, com mirante que permitiu uma vista privilegiada para o Carnaval de Salvador. Ainda no circuito Barra-Ondina, a empresa atuou por meio do braço San Folia, comercializando blocos como Crocodilo, Vem Comigo, Coruja, Largadinho e Uau! Chá da Alice, além de estar à frente dos blocos Blow Out e O Vale.

O sócio José Augusto Vasconcelos avalia que o período foi extremamente positivo para a San, consolidando uma curva de crescimento consistente e, nesta temporada, conquistando mais sucesso para as marcas do grupo. “O San Folia teve desempenho muito sólido nas vendas, com blocos tradicionais como os de Ivete, Claudia, Daniela e Alinne Rosa registrando ótima procura, além de uma presença muito forte de público de fora da Bahia”, afirmou.

O empresário ainda destacou o Camarote Baiano, que trouxe texturas, luz e o clima hedonista inspirado na ilha de Mykonos, com espaços dedicados à beleza e à alta experiência. “Conseguimos entregar uma experiência ainda mais estruturada, com conforto, serviços e line-up de peso, o que se refletiu em ocupação elevada e excelente avaliação do público”, disse.

Por um lado, o aumento de custos operacionais, como segurança, estrutura e logística, que seguem pressionando o setor, foram um dos desafios enfrentados pelo grupo. Ao mesmo tempo, surpresas positivas também aparecem na balança, como a retomada mais intensa do turismo internacional e o aumento do ticket médio em determinados produtos premium.

“Salvador mostrou, mais uma vez, por que tem a maior festa popular do planeta. O Carnaval 2026 correspondeu às nossas expectativas e, em alguns pontos, superou. Tivemos blocos muito fortes na avenida, excelente presença de público e um ambiente de festa vibrante e organizado. Em termos de faturamento, foi um Carnaval de números crescentes, tanto em vendas antecipadas quanto em consumo durante os dias de evento. A organização da cidade também evoluiu, com melhorias na mobilidade e na integração entre poder público e iniciativa privada”, declarou o sócio do Grupo San Sebastian.

Zé Augusto entende que o mercado soteropolitano encontrou um publico mais criterioso e interessado em experiências durante o verão. Enquanto isso, surge uma geração mais jovem que mistura formatos e que quer curtir tanto os camarotes e festas privadas, mas também os blocos e pipocas. “Não é só ir para a rua; é viver algo que tenha identidade, conforto, segurança e propósito. Há uma valorização maior de serviços premium, camarotes estruturados e eventos que ofereçam diferenciais claros. Essa diversidade é saudável e amplia o mercado”, expõe.

A Bahia segue como referência nacional no que tange ao Verão e Carnaval. Para ele, o setor de entretenimento mostrou maturidade, capacidade de inovação e profissionalismo, mas ainda é necessário avançar ainda mais na previsibilidade regulatória, na desburocratização e na construção de um calendário anual robusto, que vá além de janeiro e fevereiro.

“Também é fundamental continuar investindo em infraestrutura, qualificação de mão de obra e segurança. A integração entre empresários, artistas e poder público é essencial para que a festa cresça de forma sustentável, gerando emprego, renda e impacto positivo para toda a cadeia produtiva”, reforçou Vasconcelos.

Diferentemente de 2024-25, no qual o Carnaval invadiu o mês de março e estendeu ainda mais o verão, este ano a estação foi mais curta. Na temporada 2026-27, esse período será ainda mais compactado, com a folia iniciando no dia 4 de fevereiro. “Quando o Carnaval cai mais perto de março, temos um verão mais longo, o que permite diluir melhor os eventos, fortalecer a agenda pré-carnavalesca e trabalhar vendas com mais fôlego. Por outro lado, também há maior desgaste operacional e financeiro ao longo de um período estendido”, declara.

“Quando o Carnaval acontece no início de fevereiro, como esse ano e o próximo, o mercado fica mais concentrado e intenso. As decisões de compra são mais rápidas, a janela de vendas é menor e o risco aumenta, mas a sensação de urgência também pode impulsionar resultados”, conclui José Augusto Vasconcelos, sócio do Grupo San Sebastian.

José Augusto Vasconcelos. Foto: Reprodução/Instagram

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