
Após reunir multidões em apresentações que transformaram praças e teatros em grandes celebrações populares, Carlinhos Brown e a Orquestra Ouro Preto eternizam um dos encontros mais singulares da música brasileira no álbum “Afrossinfonicidade”. Gravado ao vivo na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, o projeto será lançado em dois volumes, com o primeiro nesta sexta-feira (5) e o segundo no dia 26 de junho.
No palco, tambores, cordas e vozes deixam de ocupar universos distintos para construir uma experiência musical que atravessa gêneros, territórios e gerações. O repertório percorre diferentes momentos da obra de Brown, com nova roupagem sinfônica assinada por Paulo Malheiros e regência do maestro Rodrigo Toffolo.
Entre os destaques do Volume 1 está “Frases Ventias”, que reaparece em uma releitura que aproxima a força do barroco à poesia afro-brasileira. O repertório também revela a delicadeza e a intensidade de faixas como “Dois Grudados”, “Argila”, “Ocaso”, “Segue o Seco” e “Muito Obrigado Axé”.
No Volume 2, composições criadas por Brown ao lado dos Tribalistas — Marisa Monte e Arnaldo Antunes — como “Vilarejo”, “Velha Infância” e “Já Sei Namorar”, ganham novas e profundas interpretações. O mesmo acontece com sucessos que atravessaram gerações, como “A Namorada” e “Amor I Love You”. Junto ao Volume 2, será lançado ainda o audiovisual do show completo gravado na Concha Acústica, em Salvador.
“Afrossinfonicidade é um encontro de linguagens que sempre estiveram destinadas a caminhar juntas. O tambor já nasce sinfônico porque organiza pessoas, emoções e memórias. Quando a Orquestra Ouro Preto abraça essa pulsação, nasce uma música que celebra o Brasil em toda a sua grandeza. Gravar esse trabalho ao vivo era fundamental, porque existe uma energia acontecendo ali que não cabe apenas na partitura ou no estúdio. O público canta, responde, vibra. O projeto nasceu para ser vivido de forma coletiva”, afirma Brown.
Gravado ao vivo, o álbum preserva o que o estúdio dificilmente capturaria: a forma orgânica como os músicos se escutam, os contracantos que nascem do instante, a sensação de que aquilo está acontecendo pela primeira e última vez ao mesmo tempo. Entre o tambor e o violino, entre o terreiro e o teatro, entre Minas e Bahia, entre Castro Lobo e Castro Alves, há uma continuidade que a música brasileira conhece bem, mas que raramente encontra forma tão bem acabada para se expressar.
“O disco retrata um encontro profundamente ligado às relações culturais entre Ouro Preto e Salvador, duas cidades fundamentais na formação do Brasil e carregadas de identidade e brasilidade. Quando as cordas da Orquestra Ouro Preto se encontram com a percussão e a força criativa de Brown, criamos uma experiência sonora singular, potente e surpreendente”, comenta o maestro Rodrigo Toffolo.


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