Outubro Rosa Grupo Empório. Foto: Divulgação

O que a sua marca faz as pessoas sentirem? Essa pergunta acompanha meu olhar quando entro em um espaço. Observo como as pessoas chegam, onde se acomodam, o que as convida a ficar. Ao longo de quase duas décadas criando experiências e humanizando ambientes, aprendi que receber bem começa antes da chegada de alguém. Começa nas escolhas que fazemos pensando em quem vai estar ali.

Neste Outubro Rosa, vale trazer essa reflexão para a prática: como traduzir uma mensagem de cuidado em uma experiência na qual as mulheres se sintam consideradas e respeitadas? E como expressar a identidade de quem as recebe?

As pessoas são a chave

O que vem primeiro: a mensagem ou a sensorialidade? Nenhuma das duas. São as pessoas. Quem são essas mulheres? Como chegam? O que faz sentido para elas? E o que a marca deseja expressar nessa relação? Essas perguntas orientam minha curadoria. A partir delas, escolho a luz, os sons, a temperatura, os aromas, as texturas e a disposição dos lugares. Afinal, antes de ler o que uma marca tem a dizer, já podemos sentir como ela nos recebe. No Outubro Rosa, a cor identifica a campanha. A hospitalidade dá forma à mensagem de cuidado, com o jeito próprio de cada marca acolher.

A natureza como presença

É a partir desse olhar para as pessoas que a natureza entra na minha curadoria. Paisagismo, flores e objetos garimpados com intencionalidade fazem parte da minha linguagem. Com esses elementos, traduzo intenções em cores, formas, texturas e sensações. Meu olhar reúne referências do que vi pelo mundo e coloca em evidência a exuberância da Bahia, da sua natureza e cultura. Esse encontro ganha uma expressão própria em cada projeto.

Beleza com intenção

Essa atenção orienta o que entendo como beleza. No Outubro Rosa, cada cor, material ou textura precisa contribuir para a mensagem de cuidado e expressar a identidade de quem recebe. Uma parte essencial da curadoria é escolher o que pertence àquela história. Cada detalhe precisa ter uma razão para estar ali. Às vezes, essa razão está em deixar espaço para conversar, ouvir e, principalmente, querer ficar. A beleza ganha profundidade quando nasce dessa intenção.

Do espaço ao encontro

No Grupo Empório, onde desenvolvemos esse trabalho há quase cinco anos, conecto os ambientes à criação de experiências. Uma instalação floral pode abrir uma conversa. Uma mesa pode aproximar pessoas. Aulas de gastronomia ou cerâmica podem convidar a desacelerar e prestar atenção ao que se está fazendo. Meu trabalho é reunir essas escolhas em torno da intenção do encontro.

Cada organização tem sua maneira de se relacionar. A experiência precisa expressar essa identidade no convite, na chegada, na convivência, na despedida e na continuidade dessa relação. O que se vive nessa relação também importa para os negócios. Em pesquisa da PwC publicada em 2018, 89% dos participantes brasileiros apontaram a experiência como fator importante em suas decisões de compra.

O que permanece em quem vive

Para mim, hospitalidade é fazer alguém perceber: pensaram em mim. Isso aparece no conforto de um assento, na música que permite conversar, na atenção de quem recebe. São decisões que tornam perceptíveis os valores de uma marca.

No Outubro Rosa, essa intenção se traduz em espaços e encontros nos quais as mulheres tenham lugar, voz e atenção. A mensagem ganha sentido naquilo que elas vivem ali. O encontro termina, o espaço se transforma. Mas a lembrança de como fomos recebidas pode ficar para sempre e fazer parte da história que guardamos de uma marca.

É o efêmero que os sentidos guardam para sempre.

Quando o acolhimento ganha forma

*por Elis Piñón, curadora de experiências, CEO e diretora criativa do Grupo Empório.

Elis Piñón. Foto: Divulgação

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