Regina Santos Conceição. Foto: Reprodução

A morte de Regina do Acarajé, nesta segunda-feira (19), aos 74 anos, marca o fim de um ciclo protagonizado por três das mais famosas baianas de acarajé de Salvador. Ao lado de Dinha e Cira, a quituteira transformou seu nome em referência da gastronomia popular e ajudou a construir uma das páginas mais emblemáticas da cultura soteropolitana. Com a partida da última integrante viva desse trio, uma questão ganha espaço: quem dará continuidade ao legado dessas mulheres?

A primeira despedida aconteceu em maio de 2008, quando Lindinalva de Assis, a Dinha do Acarajé, morreu aos 56 anos. Seu tabuleiro no Largo de Santana, no Rio Vermelho, tornou-se um dos endereços mais conhecidos da gastronomia e da boemia de Salvador. Após sua morte, os familiares deram continuidade ao negócio, preservando uma tradição que atravessa gerações.

Em dezembro de 2020, a cidade perdeu Jaciara de Jesus Santos, a Cira do Acarajé. Reconhecida pela qualidade de seus quitutes, ela construiu uma marca que se tornou referência na culinária baiana. Depois de sua morte, os negócios passaram a ser administrados por familiares. Em 2026, porém, divergências entre herdeiras vieram a público e expuseram os desafios de preservar uma marca tradicional e conciliar os interesses familiares. Atualmente, os pontos do Rio Vermelho e de Itapuã seguem sob administrações distintas.

Agora, a morte de Regina, que começou a trabalhar com acarajé aos 19 anos e dedicou mais de cinco décadas ao ofício, acrescenta um novo capítulo a essa história. Conhecida por seus tradicionais pontos de venda no Rio Vermelho e na Graça, ela conquistou uma clientela fiel e se consolidou como uma das figuras mais populares da gastronomia local.

Assim como aconteceu com Dinha e Cira, a continuidade do trabalho de Regina passa também pela preservação de uma história familiar. Ainda não há informações públicas detalhadas sobre como ficará a administração de seus negócios após sua morte.

Mais do que empreendedoras, as três baianas se tornaram símbolos de uma tradição que reúne ancestralidade, cultura afro-brasileira, empreendedorismo e memória afetiva. Seus nomes ultrapassaram os tabuleiros e passaram a fazer parte da identidade de Salvador.

A era de Dinha, Cira e Regina chega ao fim, mas o acarajé continua vivo nas mãos de outras gerações. O desafio agora é manter os negócios, preservar as receitas e proteger as histórias que transformaram essas mulheres em verdadeiras rainhas da gastronomia baiana.

Acarajé. Foto: Reprodução

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