
O cinema baiano atravessou fronteiras e chegou em um dos mais prestigiados palcos culturais dos Estados Unidos. O curta ‘Cleó aos 70’ foi selecionado para o 33rd New York African Film Festival, que acontece de 1º a 30 de maio no Lincoln Center, no The Africa Center e no Maysles Documentary Center. Entre 500 produções inscritas para o festival, apenas dois filmes brasileiros foram escolhidos. Entre eles, ‘Cleó aos 70’ não só representa o Brasil, mas, carrega sozinho a bandeira da Bahia, afirmando uma narrativa que nasce no território, mas ressoa no mundo.
Dirigido por Márcio Ferreira e Rafa Beck, o filme não se limita à linguagem documental tradicional, mas traz também rigor estético, escolha política e intenção. A condução dos diretores transforma a trajetória de Mãe Cleonice de Obaluayê em uma experiência cinematográfica que ultrapassa o registro: é reverência. É memória viva. É ancestralidade que se recusa a ser silenciada.
Idealizado por integrantes da Associação Tolissá Ejigbô e co-produzido pelas baianas Agamavi Filmes e Olho de Vidro Produções, a produção não se trata apenas de visibilidade internacional e reconhecimento. O movimento entaltece um cinema que emerge do território com identidade, que sustenta suas raízes e que, ao invés de se adaptar ao mundo, faz o mundo parar para escutar.
Outro eixo central dessa conquista é o papel estratégico do Instituto EDUCA+, responsável pelo gerenciamento do projeto. A instituição não apenas viabilizou o percurso do filme, como também acompanha sua internacionalização e estará presente em Nova York na exibição oficial, marcada para o dia 16 de maio. Mais do que apoio, trata-se de articulação, uma presença que reafirma o cinema como instrumento cultural, educacional e político.

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