Walter Salles. Foto: REUTERS/Daniel Cole

A cerimônia do Oscar 2026, que acontece neste domingo (15), traz mais um momento de grande expectativa para o cinema mundial e para o brasileiro. Ao longo da história da premiação, o Brasil já teve filmes e cineastas que chamaram a atenção da Academia, recebendo indicações em categorias como Melhor Filme Internacional, Direção, Roteiro, Curta‑metragem, Animação e Documentário. São cerca de 26 nomeações distribuídas em 15 diferentes categorias.

Do primeiro filme brasileiro indicado na década de 1960 até a conquista histórica em 2025 e a presença forte em 2026, o Brasil construiu uma trajetória inspiradora no Oscar. Essas produções não apenas ampliaram a visibilidade do cinema brasileiro no mundo, mas também levaram temas nacionais, narrativas emocionantes e performances memoráveis para além das fronteiras.

Este levantamento especial do Anota Bahia reúne 10 filmes brasileiros que receberam indicações ao Oscar, celebrando sua importância artística, cultural e histórica no cinema nacional e internacional. Confira!

O Pagador de Promessas (1962)

O primeiro filme brasileiro a ser indicado ao Oscar, competindo na categoria Melhor Filme Internacional em 1963. Dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça homônima de Dias Gomes, a trama acompanha Zé do Burro, que faz uma promessa religiosa para salvar um burro ferido e acaba encarando uma jornada de fé e conflitos sociais que expõe tensões religiosas e culturais no Brasil.

“O Pagador de Promessas” (1962). Foto: Divulgação

O Quatrilho (1995)

Direção de Fábio Barreto, este drama familiar retrata, com sensibilidade, a vida dos imigrantes italianos no sul do Brasil no início do século XX. Indicado em 1996 na categoria Melhor Filme Internacional, o filme explora paixões, tradições e os desafios de uma comunidade que busca sobrevivência e identidade em terra distante.

“O Quatrilho” (1995). Foto: Divulgação

O Que É Isso, Companheiro? (1997)

O longa de Bruno Barreto, baseado no livro de Fernando Gabeira, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 1998. A história se passa durante a ditadura militar e mistura drama político, tensão e amizade ao acompanhar um grupo de jovens envolvidos na luta contra o regime autoritário brasileiro.

‘O Que é Isso, Companheiro’. Foto: Divulgação/Cinecolor

Central do Brasil (1998)

Um marco do cinema brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e à Melhor Atriz, por Fernanda Montenegro, em 1999. Dirigido por Walter Salles, o filme narra a jornada comovente de uma professora aposentada que ajuda um menino a encontrar seu pai no interior do Brasil. A atuação de Montenegro é considerada uma das maiores da história do cinema nacional.

Central do Brasil (1998). Foto: Reprodução

Uma História de Futebol (1998)

Este curta‑metragem dirigido por Paulo Machline foi indicado ao Oscar de Melhor Curta‑metragem em Live Action em 2001. A obra traz um olhar criativo sobre a infância e a paixão do Brasil pelo futebol, mostrando como o esporte molda sonhos e realidades em comunidades brasileiras.

“Uma História de Futebol”. Foto: Reprodução/IMDB

Cidade de Deus (2002)

Um dos filmes brasileiros mais aclamados internacionalmente, indicado a quatro Oscars em 2004 — nas categorias de Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, o longa adapta o livro de Paulo Lins e retrata com brutalidade e poesia a vida nas favelas cariocas, impactando profundamente o cinema mundial.

‘Cidade de Deus’ (2002). Foto: Reprodução/Globo Filmes

O Menino e o Mundo (2013)

Indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação em 2016, o longa dirigido por Alê Abreu se destaca por seu estilo visual único e narrativa universal. Sem diálogos convencionais, o filme acompanha um menino que parte em busca do pai e encontra um mundo repleto de contrastes sociais e culturais.

“O Menino e o Mundo”. Foto: Divulgação

Democracia em Vertigem (2019)

Este documentário de Petra Costa, indicado ao Oscar de Melhor Documentário em Longa‑Metragem em 2020, mistura política e vida pessoal para explorar o processo político brasileiro e o impeachment de Dilma Rousseff. A obra foi reconhecida por seu olhar íntimo e corajoso sobre as forças que moldaram o Brasil contemporâneo.

“Democracia em Vertigem”. Foto: Divulgação

Ainda Estou Aqui (2024)

Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, este drama histórico conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, tornando‑se o primeiro filme brasileiro a vencer nesta categoria. A produção também foi indicada ao Melhor Filme e à Melhor Atriz, celebrando a trajetória de Eunice Paiva em meio à ditadura militar e inaugurando um novo capítulo para o cinema brasileiro no Oscar.

“Ainda Estou Aqui”. Foto: Alile Dara Onawale/Sony Pictures

O Agente Secreto (2025)

Representando o Brasil no Oscar 2026, essa produção de Kleber Mendonça Filho soma indicações em quatro categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco — igualando recordes históricos. O filme, ambientado durante a ditadura militar, combina drama histórico com crítica social e simboliza a vitalidade contínua do cinema nacional.

Wagner Moura em 'O Agente Secreto'
Wagner Moura em ‘O Agente Secreto’. Foto: Laura Castor

*texto com colaboração de Luís Guimarães

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