Wilson Andrade. Foto: Tati Freitas

O principal articulador do “Movimento Fibras Naturais Brasileiras”, o economista Wilson Andrade, vai se reunir, nesta quinta-feira (18), com autoridades nacionais em Brasília para apresentar e sugerir cooperação para o projeto. Estarão presentes representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A iniciativa foi lançada neste ano, reunindo as entidades que representam as fibras naturais brasileiras: bambu, cânhamo, coco, malva/juta, piaçava, seda e sisal. O grupo é composto por representantes do setor público, do setor privado, das associações que defendem os produtores e a indústria, e de instituições de apoio e inovação tecnológica.

Segundo Andrade, o objetivo é preparar projetos específicos para cada uma das fibras, para um maior ganho de mercado e para o melhor aproveitamento das oportunidades que este novo mundo verde traz, com destaque para os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e acesso ao mercado mundial de carbono, com suas políticas, programas e incentivos ligados à mitigação das mudanças climáticas.

“Estamos fazendo um inédito, amplo e ambicioso programa de recuperação, com mais produtividade e competitividade, das nossas fibras. Com isso, várias fibras naturais que perdem mercado para as sintéticas há 30 anos, podem aproveitar a tendência de crescimento de 1,5% ao ano nos próximos 10 anos, segundo estudos recentes da FAO”, afirma.

Estão sendo utilizados, como exemplo, os projetos de cânhamo e de sisal, que já estão prontos e mostram caminhos para parcerias, patrocínios e investimentos locais e internacionais em larga escala. Com essas experiências, o movimento está prosseguindo com novos projetos, inicialmente para a malva/juta que historicamente gera renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional para milhares de famílias rurais no Pará e no Amazonas.

Os encontros pretendem reunir produtores, industriais, pesquisadores, representantes do governo e instituições de apoio para discutir caminhos concretos para revitalizar a produção nacional de fibras naturais; ampliar a base produtiva com inclusão de pequenos e médios produtores; promover inovação tecnológica e aumento de produtividade; fortalecer a indústria nacional de processamento de fibras; ampliar novos usos industriais para fibras naturais, incluindo biocompósitos, geotêxteis, embalagens e materiais sustentáveis.

Andrade reforça que o Brasil reúne condições únicas para liderar mundialmente a produção e o uso de fibras naturais. “Em um momento em que o planeta busca alternativas sustentáveis aos materiais sintéticos e derivados do petróleo, as fibras vegetais voltam ao centro das estratégias industriais, ambientais e sociais”, completa.

Wilson Andrade. Foto: Heckel Junior

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