
Lançado na última segunda-feira (20), o documentário “Preta – Eu Não Ando Só”, da Globo, reúne momentos inéditos da trajetória de Preta Gil durante o tratamento contra o câncer e depoimentos de pessoas que fizeram parte de sua vida. Entre eles, um dos relatos mais emocionantes é o de Ivete Sangalo, que abre o coração ao falar da dificuldade de traduzir uma amizade de décadas para as câmeras.
Ao comentar sua participação na produção, a artista reconhece a importância de manter viva a memória da amiga, mas admite o desconforto de transformar uma relação tão íntima em narrativa documental. “Ela merece que a gente fale dela, que tenha o documentário dela, que sejamos esse canal de manter ela existindo”, afirma.
Na sequência, Ivete explica que a amizade vivida com Preta foge de qualquer construção artística. “A vida que eu tinha com ela, o que eu tenho para falar dela. Não tem nada disso. Me sinto estranha falando disso para um documentário. Porque eu tinha minhas coisas com ela de amiga, de pessoa. O documentário requer uma certa poesia, e eu não consigo enxergar isso dessa forma”, diz.
A sinceridade do depoimento se destaca justamente por fugir de discursos ensaiados. Em vez de recorrer a palavras elaboradas, Ivete evidencia o quanto a ausência de Preta ainda é difícil de elaborar e como a amizade entre as duas permanece marcada por lembranças que pertencem ao campo da intimidade.
Dirigido por Sandra Kogut, “Preta – Eu Não Ando Só” faz parte do projeto “Quanto Mais Preta, Melhor”, que celebra o legado da cantora. A produção reúne imagens registradas pela própria Preta durante o tratamento, além de relatos de familiares e amigos, construindo um retrato sensível sobre sua força, sua personalidade e a rede de afeto que a acompanhou até o fim.

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