Luís Guimarães

Mari Fernandez – cantora projeta São João 2026, lança novo projeto e analisa cenário musical

    Mari Fernandez. Foto: Washington Nunnes

    Um dos nomes femininos em maior evidência na música brasileira atual, a cantora Mari Fernandez é conhecida pelo seu estilo direto, letras marcantes, autenticidade e forte conexão com o público jovem. Diretamente do interior do Ceará, seu sucesso rápido a coroou como um dos símbolos da nova geração da música nordestina a colocou em grandes palcos nacionais e internacionais. Transitando entre o forró, o piseiro e o sertanejo, a artista se destaca por letras de sofrência, amor e superação, ao transformar histórias reais e sentimentos reais em melodias para que as pessoas se identifiquem com a arte.

    Tudo isso está presente na nova edição do projeto ‘Mari no Barzinho’, que será lançado nesta quinta-feira (7), reforçando a proximidade com seu público. Em entrevista ao Anota Bahia, Mari Fernandez discorreu sobre o audiovisual gravado em Fortaleza, mas que também já passou pelo Rio de Janeiro, Goiânia, Belo Horizonte e, quem sabe, pode passar pela capital baiana. A proposta intimista da label traz um evento de experiência emocional e de conexão entre artista e fãs.

    Durante a conversa, a cantora projetou suas expectativas para o São João 2026, destacando a relevância da Bahia para o período. Cerca de 50% dos shows juninos da cantora em 2025 foram em cidades baianas, as quais ela afirma ter criado uma relação muito forte.

    O poder da Era Digital dentro do mercado musical também foi abordado por Mari, que fez uma análise acerca do alcance proporcionado pelas plataformas, tanto para a divulgação de músicas e eventos quanto para a democratização do acesso a diferentes estilos musicais de diversas partes do país.

    Casada com a influenciadora Júlia Ribeiro, a artista está esperando a primeira filha, a Isabela. Na entrevista, ela aborda o tema e como esse seu novo lado tem influenciado na forma de enxerga o mundo.

    Nesta nova edição você lança inéditas como “Telefone Sem Fio”, “Tudo é um Pouquinho”, “Vai Lá e Tenta”, os fãs podem esperar essas como as músicas de trabalho para esse período junino? Como tá a expectativa para a recepção do público? Vem mais lançamentos até lá?

    O “Mari no Barzinho” é o projeto que a gente vai trabalhar no São João, tanto que tem de tudo um pouco. Tem pise iro, tem forró, tem sertanejo, tem arrocha. Tem vários estilos. Apesar que a gente tá trabalhando muito e soltando muitos spoilers da música “Telefone Sem Fio”, eu acho que hoje em dia não existe mais isso de a música de trabalho. Existe o projeto. Nós estamos trabalhando no projeto. Acredito em todas as músicas que foram gravadas e que cada fã vai se identificar com uma música, ou talvez com todas. A música que pode estar mais viralizada pode ser “Telefone Sem Fio”, mas talvez quando eu for fazer um show no São João, aqueles fãs estejam esperando que eu cante outra, como “Vai Lá e Tenta”, entendeu?

    Por enquanto a gente ainda não sabe qual vai ser a música de trabalho. A gente quer trabalhar realmente o projeto. Eu e todo o meu time acreditamos muito em todas, apesar de que, claro, “Telefone Sem Fio” é uma música muito boa, “Vai Lá e Tenta” também tem seu diferencial. Cada música tem o seu diferencial, tanto na produção e no estilo, como também na letra e na história que a música passa.

    O “Mari no Barzinho” já passou pelo Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia e agora por Fortaleza. Já se sabe quais serão os próximos destinos do projeto? Salvador integra essa lista?

    Já faz um tempo que a gente vem recebendo muitos pedidos da galera de Salvador para que a gente leve “Mari no Barzinho” e estamos namorando com essa ideia. Dessa vez a gente fez uma votação: “em qual lugar vocês acham que a gente deve gravar alguma área num barzinho?”. A gente fez toda uma pesquisa e realmente o local que ganhou foi Fortaleza. Salvador estava lá muito forte, entre essas cidades do nordeste, mas dessa vez foi Fortaleza. O foco é trabalhar esse projeto. A gente ainda não tem data de quando vai gravar outro. Mas com certeza, quando a gente voltar para gravar outro de novo, Salvador vai estar lá nessa lista de nomes que a gente está pensando, pode ter certeza.

    Venho falando há muito tempo, eu sinto que tenho muitos fãs na Bahia, muitos fãs não só em Salvador, mas no estado inteiro, nas cidades do interior também. Eu faço muito show e a gente tem uma conexão muito grande. Eu estou demorando a gravar algo na Bahia, mas podem ter certeza que quando eu gravar, vai ser bem especial. Já deu pra gente sentir um pouquinho do spoiler do que seria a gravação quando eu fui no Bar do Léo e fiz uma brincadeira com a galera um dia antes do Réveillon de Salvador. Então já deu pra sentir ali que Salvador merece também uma área no barzinho. Eu não sei a data ainda, não sei quanto, mas pode ter certeza que depois da gente lançar o de Fortaleza, se tiver um próximo, Salvador tá ali entre os grandes nomes a ser escolhido.

    Estamos nos aproximando de um dos momentos mais esperados do ano para nós aqui do Nordeste, que é o São João. Como estão os preparativos para o período? A agenda já está encaminhada e com shows na Bahia?

    Tem muito show na Bahia, graças a Deus a agenda está bem cheia. Eu sou muito grata que nesse período São João eu sempre sou um artista muito lembrada. A galera me procura muito e eu fico muito feliz por isso. Eu tenho um respeito enorme assim, principalmente pela galera do estado da Bahia, pelo São João da Bahia. É muito importante o São João do Ceará, é muito importante o São João da Paraíba, o São João do Pernambuco, mas é surreal o São João da Bahia. Em termos de quantidade de shows, praticamente todas as cidades da Bahia fazem o São João.

    É engraçado que, no ano passado, eu acho que 50% da minha agenda foi fazendo show na Bahia, porque realmente não só capital, mas todas as cidades do estado abraçam muito essa cultura do São João. Eu acho muito incrível, todas as cidades que eu já passei me marcaram muito e fico sempre feliz quando eu abro a minha agenda ali de shows do São João e vejo que a Bahia sempre continua muito forte e presente. Esse ano não vai ser diferente. Estou preparando um show bem incrível para vocês no São João. Espero que a gente possa mais uma vez fazer história em cada cidade que eu passar da Bahia, que eu possa levar muita alegria para o povo e curtam muito meu show, assim como eu curto todas as vezes que eu estou na Bahia, além da energia do povo baiano.

    Você construiu uma conexão muito forte com o público através das redes sociais e também dos seus projetos mais intimistas. Como você enxerga hoje o papel do digital na construção da sua carreira e na forma como suas músicas chegam e permanecem com o público?

    Cara, eu considero que hoje eu sou muito ativa no digital. Os meus fãs me acompanham várias vezes, sempre estou no Instagram, sempre estou no Tik Tok. No meu dia a dia, eu sou uma artista que eu gosto de gravar muito stories, sempre estou mostrando a minha vida, a minha rotina. Desde o momento que eu estou treinando na academia ao momento que eu estou em casa, e até quando eu não estou fazendo nada, eu sempre gravo um stories: “Oh galera, não apareci hoje aqui, porque estou daquele jeito que não tem nem o que mostrar”. Mas eu acho que isso é muito massa. Isso acaba trazendo uma conexão com os meus fãs, de forma que eles sempre sabem onde eu vou estar, estão realmente acompanhando não só a minha carreira, mas a minha vida. Eu senti que mudou o patamar da minha carreira quando eu comecei a criar essa intimidade com os meus fãs.

    É por isso que o ‘Mari no Barzinho’ é um projeto que foi pensado desde o início em continuar trazendo essa proximidade com os fãs, para que eles possam sentir a realidade. Eles fazem parte da minha vida e da minha carreira. Ultimamente eu venho mostrando isso, não só em falas, não só falando, mas também nas atitudes, nos projetos e sempre trazendo os fãs cada vez mais para perto, porque sem eles a gente não chega em lugar nenhum.

    Dentro de um mercado cada vez mais competitivo e com lançamentos constantes, como você define o que realmente precisa ser dito em uma música sua? Existe um cuidado maior hoje em relação à mensagem, à identificação com o público ou até ao momento da sua vida pessoal?

    A música é uma coisa que ela consegue ser diferente de tudo o que a gente sabe. É inexplicável. De todas as coisas no mundo, nada se compara a música. Ela tem o poder de unir as pessoas e de fazer parte da nossa vida em todos os momentos. Quando a gente está triste, escutamos uma música, assim como, quando a gente perde alguém. A gente tem uma música que lembra aquela pessoa. Quando a gente está feliz, escutamos uma música. Quando a gente acorda meio desanimado, a gente bota uma música animada e a animação vem. Então a música literalmente faz parte de todos os momentos da nossa vida.

    Uma coisa que eu acho que todo mundo precisa entender é que não existe uma limitação para a música. Principalmente quando você é um artista que tem muitos anos de carreira, você tem que estar sempre aberto a testar um novo. Então, quando estou gravando um projeto, eu nunca me limito a só escrever sobre traições ou sobre romance. Eu escrevo e canto sobre tudo. É como se cada música ela pedisse uma batida, como se cada música pedisse uma melodia, como se cada música pedisse uma história. Então assim, por exemplo, você escutando assim o nome do projeto ‘Mari no Barzinho’, você idealiza que todas as músicas vão ser sofrência, mas isso não me impede de lançar uma música super alegre, uma música super pra cima num projeto desse.

    Quando você tem uma carreira muito grande, com muitos fãs, cada pessoa se identifica com uma música, com uma história. Então quando você lança um projeto versátil como o ‘Mari no Barzinho – Ao vivo em Fortaleza’ — que tem forró, piseiro, sertanejo, arrocha — isso ajuda muito a você a atingir o máximo de público. Às vezes tem uma pessoa ali que não curte tanto sertanejo, mas gosta de arrocha, e você vai conseguindo agradar um pouco todos os fãs, todas as idades. A gente vai conseguindo também, através da letra das músicas, trazer várias histórias. Sempre que eu estou escolhendo álbum, eu penso assim: se eu já tenho uma música que conta uma história sobre uma história de amor, é melhor eu encontrar uma música que conte outra história, do que eu procurar uma outra música que conte a mesma história. É melhor ter várias músicas diferentes, várias histórias diferentes, do que ter sempre aquela mesmice, tudo muito igual, sabe?

    Então eu nunca me prendo a qual estilo eu vou estar colocando ali, é a música que pede o que eu vou produzir nela, e nem a letra. Claro, quando eu estou compondo, gosto de me basear em fatos reais, seja um fato de relacionamento, um fato de amizade ou contando uma história sobre a minha vida ou a vida de alguém que é inspiradora. A música é isso, é você conseguir transformar histórias reais, sentimentos reais, em melodia para que as pessoas se identifiquem com aquele sentimento. Se você parar pra ver, os nossos sentimentos são muito parecidos. Todo mundo já passou por várias situações sentimentais parecidas. Então, muitas vezes, quando você escuta uma música, você nem passou pela história daquela música, mas ela te passa um sentimento porque você passou por algo parecido, e aí você se identifica com ela.

    O que eu procuro mesmo assim nas minhas músicas, quando eu vou produzir um álbum, é não se limitar e sempre trazer algo novo, algo diferente para os meus fãs. Até para testar se eles vão gostar ou não. Eu acho que eu tenho essa liberdade de estar sempre testando, sempre tentando inovar. Então eu também sempre busco trazer histórias reais, mas em contextos diferentes, para não ficar sempre aquela mesmice ali, aquela mesma história, aquela mesma melodia na música.

    Hoje há uma mistura bem marcante entre o forró, o piseiro e o sertanejo na música brasileira como um todo, que está presente não somente neste seu novo projeto, mas em sua trajetória. Como é sua relação com cada uma dessas influências e como você explora essa versatilidade no processo conceitual de composição?

    A minha relação com forró, com o piseiro e com o sertanejo é uma de muito respeito. Eu tenho um respeito por todos esses estilos musicais e eu consigo enxergar que eles se casam. Quanto mais eles se unem, mais forte esses estilos ficam. O Brasil é muito grande, então nem sempre o que está tocando no Nordeste, está tocando no Sudeste, então eu acredito muito que quando tem essa união musical ajuda muito mais a você conseguir estar tocando em todos os lugares do Brasil.

    Quando você une um ritmo com outro, você consegue agradar novos públicos e permanecer agradando aquele público que já faz parte do seu cotidiano, da sua história. Como eu cresci no Ceará, eu sou cearense, nordestina, eu sempre convivi naturalmente com forró e, dentro da minha casa, a minha avó e a minha mãe escutavam muito sertanejo. Então na minha vida o sertanejo e o forró sempre tiveram muito presente e de uma maneira muito natural. Era como se quando eu saísse de casa, na rua, estava tocando num som o forró, quando eu entrava dentro de casa, estava tocando sertanejo. Então, apesar de eu ser cearense, apesar de eu ser nordestina, eu sempre tive essa mistura e contato com esses ritmos. Eu sei a importância do Dorgival Dantas, mas eu também sei a importância de um Zezé de Camargo e Luciano, de um Chitãozinho & Xororó.

    Isso para mim me ajudou muito quando eu comecei a ser convidada por alguns artistas de sertanejo, quando comecei a gravar com eles e quando eu comecei a conhecer alguns produtores e compositores do sertanejo. A minha referência musical sempre foi a Marília Mendonça, né? Então, apesar de ter muito forte dentro de mim uma ligação com o forró, esses pequenos detalhes me ajudaram muito a ter uma conexão muito forte com o sertanejo também. E eu senti que só somou na minha carreira assim em todos os momentos. Os meus fãs que gostam do forró e do piseiro continuam me acompanhando porque eu continuo fazendo forró, continuo fazendo piseiro. Eu nunca abandonei, nunca vou abandonar. E eu fui criando um relacionamento muito massa, um carinho e uma intimidade muito grandes com o público que também consome o sertanejo. Aos poucos eu sinto que esse público está me abraçando e estão começando realmente a agregar na minha carreira, sabe? Isso é muito bom.

    A gente tem diversos exemplos de feats, junções e artistas do sertanejo e do forró, que gravam juntos e sempre se torna sucesso. Então, assim se isso torna sucesso é porque essa receita de bolo já deu certo. Fora outros artistas assim que a gente pode estar de exemplo, a Simone [Mendes] já fez parte de um grande grupo de forró e hoje tem uma carreira mais voltada para o sertanejo. Mas nem por isso ela deixa de ter uma história muito forte com o Forró do Muído. Acho que a própria Ana Castela, ela é um artista jovem do segmento do sertanejo que traz muito a história e a conexão com o público do agro, mas vez ou outra nas músicas está trazendo um pouco do piseiro, do pop e um pouco da sonoridade do funk também. Essa mistura vai ajudando muito, não só a mim, a Ana e a Simone, mas todos os artistas que gostam de explorar vários estilos, a ganhar vários públicos.

    A gente tem um respeito com todos os gêneros musicais. Por exemplo, eu canto forró, eu canto sertanejo, mas sempre que eu vou na Bahia eu gosto de cantar pagodão no show. E eu me apaixonei pelo pagodão da Bahia, sabe? Do nada, estou aqui em casa escutando O Kannalha, Léo Santana, porque realmente eu respeito muito todos os gêneros musicais, todos os estilos e todas as culturas. E para mim, chegar na Bahia, no meu show, por exemplo, e cantar pagodão, não me diminui, pelo contrário. Isso me faz conectar muito mais com o público da Bahia e destacar um momento ali no show diferente do que as pessoas esperavam.

    Quando a gente está aberta a entrar num novo estilo musical, muita das vezes a gente tem medo de tipo “Ai, será que isso vai me diminuir?”. Não, muito pelo contrário, isso vai te trazer um ensinamento, no mínimo. Com certeza isso vai te levar a um lugar para surpreender o seu fã que às vezes não imaginava que você cantasse um MPB, um pagode, e viu ali e gostou. Vai abrir novas portas para você. Essa junção do sertanejo e do forró, a mensagem que passa é essa: quanto mais a gente se une, mais a gente vai abrindo portas para ambos os estilos e crescendo cada vez mais.

    Você acha que essa quantidade de influências que entram dentro de uma música e também as grandes colaborações, entre os artistas de diversos gêneros, ajuda a desmistificar de que certos estilos musicais são exclusivos de cada canto do país. Você acha que isso ajuda a quebrar essa barreira e outros paradigmas?

    Eu acho que essa era do digital é muito boa para a gente que trabalha com comunicação, não só pro cantor. Hoje em dia, quem tem uma empresa e souber usar o digital, ela cresce três vezes, quatro vezes mais do que se você não usar o digital. Você alcança novas pessoas, novos públicos através de um celular e de uma forma tão rápida. Antes para a gente conseguir comunicar “Galera, dia 7 de maio eu vou estar lançando um projeto”, sem o digital, era muito mais difícil. Hoje eu pego o celular aqui e pessoas do mundo inteiro, inclusive pessoas até de fora do Brasil, estão me consumindo ali no meu dia a dia e me vendo. Então assim, eu consigo ter uma extensão de público muito maior.

    Eu acho que hoje uma das coisas que mais vem ajudando todos os gêneros musicais, principalmente o forró e o piseiro, é o digital. É você saber trazer o digital para o seu lado. O digital tem um poder de conseguir alcançar um público inexplicável. Viralizou um vídeo meu aqui no Brasil e esse vídeo pode viralizar lá na China. Então esse poder das plataformas, do Spotify, do Deezer, da Amazon, do Instagram, do TikTok e de todos esses instrumentos, facilita muito, todos os estilos a crescer cada vez mais e nos dar esse poder.

    Antes as pessoas não conheciam alguns gêneros, porque era regional. Hoje não existe praticamente nenhum gênero que seja regional. Todos hoje são conhecidos, não só nacionalmente, mas mundialmente. Eu já tive que fazer turnê nos Estados Unidos e em Portugal, e tem uma grande massa de brasileiros, mas também um americano e um português que está ali e que consome a nossa música. Até no próprio charts. A Anitta é um exemplo que conseguiu ter uma música que foi Top1 global. Uma brasileira conquistando isso foi realmente uma conquista muito grande para a gente. E tudo foi com o poder do digital, com o poder dessa era de, graças a Deus, alcançar as coisas mais rápido. Eu acho que essa era tem ajudado não só o piseiro e o forró, mas o arrocha, o tecnomelody, o sertanejo e todos os outros.

    Há alguns meses, a Mari viu surgir mais uma nova face em si. Além de cantora, esposa, artista, você será mãe. Como estão os ânimos no coração para ver a pequena Isabela em seus braços? Já está vendo o mundo de uma perspectiva diferente?

    Olha, já tô, tá? A gente já começa a repensar em todas as atitudes da nossa vida, em tudo que a gente faz. A gente fica pensando: “poxa, como que eu vou criar um ser humano?”. Porque não é só uma criança. A gente fala muito da Isabela, né, como se fosse uma bebezinha. Ela vai ter essa fase de bebê, mas ela vai ter as outras fases também. Então hoje que eu já sou adulta, e já estou sendo mãe, eu enxergo a vida de uma maneira é totalmente diferente do que eu enxergava anos atrás. Hoje eu entendo a importância de você ser presente, você saber ser uma boa mãe, presente em todas as fases da vida de um filho. Um filho não é só um bebê. Depois cresce, se torna maiorzinha, depois vem a fase da adolescência, depois vem a fase do adulto.

    Então assim, realmente eu já me pego às vezes pensando nas coisas e eu acho engraçado porque a Isabela nem nasceu ainda e já estou pensando em como vai ser quando ela for adulta que nem eu. Calma, respira.

    É um misto de emoções, de ansiedade, mas inevitavelmente posso dizer que estou na melhor fase da minha vida. Nos últimos dois anos aconteceram muitas mudanças e muitas coisas na minha vida que me amadureceram muito. O meu relacionamento, eu ter casado, eu ter conseguido construir uma família, a minha carreira, o apoio dos meus fãs, os projetos. Sabe? Semana passada completei cinco anos de carreira e sentir que as coisas estão se organizando, estão realmente ficando no seu devido lugar, e que a carreira está tendo realmente um tempo de longevidade. Eu fico muito feliz.

    No começo, quando eu comecei a fazer isso, eu não imaginava que eu fosse chegar até aqui. E graças a Deus eu já cheguei, né? E aí novos sonhos vão chegando, novas fases da vida vão chegando. O mais incrível é o sentimento de que as pessoas que me acompanham, têm acompanhado todas as fases na minha vida. E eu sinto que os meus fãs, principalmente, estão felizes com todas as fases da minha vida. Hoje eles conseguem compreender que quando eles começaram a me acompanhar, eu era a Mariana, uma menina novinha, que tinha saído do interior, que não conhecia muita coisa, que estava começando uma carreira profissional. Hoje, eu cuido praticamente de quase tudo da minha carreira, apesar de ter grandes pessoas por trás, uma equipe muito grande por trás, mas eu tenho responsabilidades que no começo eu não tinha. E os fãs que me acompanham desde o começo, acompanharam todas as fases, desde de me ver no início de um namoro, casando agora, tendo filho. Eu acho que isso é o máximo da carreira e da vida da gente que é artista. É poder dividir esses momentos com as pessoas que fazem parte da nossa história.

    Assim, hoje eu tenho uma oportunidade na minha vida não só de ser mãe, mas de poder presentear meus pais com uma casa boa, com um carro bom. Coisas que eu nunca imaginei que eu fosse ter, sabe? Então eu sinto que, independentemente do que aconteceu na minha vida, hoje eu sou muito feliz com tudo que eu realizei, tudo que eu idealizei até aqui. Graças a Deus eu consegui realizar, poder dar uma vida boa para minha família, poder construir uma família. Eu continuo pensando na minha outra família, nos meus pais, na minha mãe. Mas agora já estou na outra parte. Agora eu preciso me preparar para dar o meu melhor, entregar o meu melhor para a Isabela, que vem vindo aí.

    Mari Fernandez. Foto: Superafter
    Mari Fernandez. Foto: Superafter

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