Marina Sena. Foto: Fernando Tomaz.
Marina Sena. Foto: Fernando Tomaz.

A cantora Marina Sena, de 26 anos, natural de Taiobeiras, no norte de Minas Gerais, conquistou o país inteiro com o hit “Por Supuesto”, e agora faz o seu tão aguardado retorno com o segundo álbum de estúdio “Vício Inerente”, lançado oficialmente nas plataformas de áudio na última quinta-feira (27). A artista, que recebeu duas indicações no Grammy Latino do ano passado pelo disco de estreia “De Primeira”, fez do seu mais novo projeto um álbum pop, moderno, que parece carregar uma aura futurista. Com 12 faixas que passeiam por ritmos como pop, pagotrap, reggaeton, R&B e a já conhecida influência da MPB, Marina apresenta uma nova fase da sua vida, morando na cidade de São Paulo e trazendo uma estética urbana. Em conversa com o Anota Bahia, a cantora revela detalhes sobre o novo momento da sua carreira e discorre sobre o lançamento do seu segundo disco.

A artista contou que desde o início do ano já estava muito ansiosa para que os seus fãs ouvissem o seu segundo projeto. “Eu tava doida para mostrar com o que eu estava viajando, sabe? Para que as pessoas soubessem o que eu estava pirando, artisticamente, no meu trabalho. Porque o ‘De Primeira’ me representa muito, mas na minha cabeça eu já estava em outro momento, vivendo uma outra estética, outra coisa, e tava bem ansiosa para que as pessoas vissem isso”, disse. Quando questionada sobre a principal mensagem do seu novo disco, Marina Sena conta que continua falando sobre amor, porém utiliza texturas diferentes. “A composição e o assunto em si não muda tanto, é sempre sobre diversas fases das relações amorosas. Mas eu acho que a textura desse universo muda, porque antes era mais orgânica, o som estava mais orgânico e a voz também. E, para esse novo projeto, não tenho medo de usar alguns filtros tecnológicos, e também tem ritmos com os quais eu não tinha trabalhado ainda. O que muda mesmo é a textura do disco, quanto ao assunto, pode ser que eu tenha falado mais abertamente sobre algum sentimento, até sentimentos que talvez não sejam tão bons. Nesse tem uma coisa meio proibida, creio que tem essa energia ‘tá errado, mas eu quero’” revela. 

Nessa nova era, a cantora traz um universo urbano, fazendo referências à noite, prédios e luzes, inclusive na identidade visual e na capa do álbum. Segundo ela, isso é um reflexo das suas novas vivências.  “Eu mudei para São paulo, então o som muda, de acordo com o lugar que você está morando e o que você está vivenciando, e nesse meu novo processo comecei a escutar outros tipos de música. Na composição também tem um pouco do ‘De Primeira’, mas comecei a pirar em coisas tecnológicas, como filtros na minha voz. E antes sempre fui muito crua, tinha uma época que eu nem usava maquiagem. Acho que com todos os filtros e distorções que coloco na minha voz em “Vício Inerente”, sinto que sou eu demais, e comecei a ver a possibilidade de ser um milhão de coisas, onde posso me fantasiar, me maquiar. Antes eu ficava com receio de errar, mas agora me sinto mais madura para colocar mais elementos no meu trabalho”, afirma. 

 “Partiu Capoeira” é uma canção que traz nítidos elementos da cultura baiana, e a artista revela que sempre teve uma forte ligação com o estado. “Taiobeiras, minha cidade, no Norte de Minas, fica a 40 minutos da Bahia. Então, eu tenho uma relação muito forte, porque é realmente do lado. Até os meus 18 anos, o único estado que eu tinha visitado era a Bahia. A gente ia muito para Porto Seguro, Ilhéus, também já fui muito para Vitória da Conquista. Já transitei muito por várias cidades. Eu cresci escutando pagodão, que era ‘a música’ que rolava em Taiobeiras. Minha festa de 13 anos foi chamada ‘pagodeira’, com uma banda de pagodão tocando, então lá a galera curte muito. E aí, quando você vai fazer arte, tudo aquilo que você escutou na sua infância, durante a sua vida, vem à tona, e quando você vê, já está fazendo”, disse.

Capa de “Vício Inerente”. Foto: Fernando Tomaz.

Quanto ao seu retorno à Bahia para fazer shows, Marina garante que vai passar por aqui com toda a certeza. “Várias vezes. Estou sempre tentando ir para aí, sempre dou um jeito”, brinca. “Mesmo quando não for fazer show, eu vou para Salvador, e tenho uma relação muito próxima com a galera da cidade. Toda vez que eu estou aí, sempre falo com algumas pessoas. Teve um dia que eu estava na cidade, e eu soltei a capa de alguma coisa, aí o povo do fã clube tava querendo marcar um encontrão na Barra para ouvir minha música”, relembra. Além disso, Sena fez questão de falar sobre a influência que a cantora baiana Gal Costa possui no seu trabalho. “Ela é minha maior referência da vida inteira. Tudo o que eu faço tem um pouco dela. Foi a primeira artista que me atravessou e eu me sentia completamente representada por tudo que ela fazia. Sou apaixonada”, revela.

A faixa “Olho no gato” foi escolhida como faixa foco no período de lançamento e ganhou um clipe. “Ela é uma faixa bem elaborada e tem pano pra manga para você sentir várias coisas enquanto escuta, não necessariamente o que há na letra. E ela traz uma coisa de movimento, quando escuto, eu me sinto dentro de um carro andando rápido. Acho que ela sintetiza a sensação que quero passar com o disco: a sensação de movimento, de tirar a pessoa do lugar que ela está, para sentir uma outra coisa”, explica. Além disso, a artista contou quais as faixas, dentre as doze, são as suas prediletas. “Minhas faixas favoritas são Dano Sarrada, Olho no Gato e Tudo Seu”.

Sobre o futuro, Marina Sena adianta para a gente que ainda pretende fazer muitas coisas, como explorar novos ritmos e fazer parcerias inéditas com grandes artistas. “Quero fazer um disco de Jazz, com uma grande banda, cantando e improvisando com a voz. Adoro improvisar, ninguém pode fazer uma base com um som que eu já começo, porque vejo muito a minha voz como um instrumento e gosto de explorar isso. Mas também quero fazer um feat com a Anitta, Rosalía. Quero fazer um monte de coisa”, finaliza a cantora.

 

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