
Após temporadas de sucesso pelo país, o espetáculo “CÃO” desembarca em Salvador para sessões entre 18 de junho e 6 de julho no CineTeatro 2 de Julho, na Federação. A montagem dos premiados grupos Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, e Magiluth, de Pernambuco, transforma o caos dos bastidores de um recém-eleito governante em uma fábula contemporânea sobre relações de trabalho, exploração, poder e sobrevivência no Brasil atual.
Com direção de Fernando Yamamoto e Luiz Fernando Marques (Lubi), a obra nasce de uma pesquisa sobre o Brasil, suas fraturas sociais, afetos e formas de resistência. Em cena, após a morte do líder da jovem república fictícia, o público assiste a um grupo de trabalhadores de eventos, os operários da maquinaria invisível do teatro, numa maratona exaustiva e dias ininterruptos de preparação para garantir que uma nova posse ocorra.
A partir daí, instala-se um jogo vertiginoso de ordens contraditórias, protocolos absurdos, pressões políticas e reorganizações impossíveis. Entre correrias, colapsos e improvisos, “CÃO” transforma o caos em linguagem cênica e constrói uma sátira feroz sobre o mundo do trabalho, especialmente sobre aqueles que sustentam tudo, mas raramente ocupam o centro da narrativa. No palco, essa engrenagem é conduzida por Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sérgio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz.
Livremente inspirado na tragédia shakespeariana “Coriolano”, o espetáculo não pretende adaptar o clássico inglês, mas atravessá-lo pelas urgências latino-americanas do presente. O que interessa aos grupos é justamente o conflito de classes, a manipulação política, os mecanismos de poder e a precarização da vida contemporânea. Os ingressos estão disponíveis através do site do Centro Cultural Banco do Brasil.
O espetáculo joga luz sobre corpos submetidos à pressão contínua, à instabilidade e à necessidade constante de adaptação — trabalhadores que reorganizam o caos diariamente enquanto permanecem invisíveis nas estruturas de poder. “O processo da montagem foi muito natural. Fomos descobrindo, juntos, onde estavam as fraturas do presente, e daí nasceu ‘CÃO’”, destaca Fernando Yamamoto.
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