Espetáculo “Moraes Musical Moreira”. Foto: Caio Lírio

No ano em que o cantor e compositor de Ituaçu, Moraes Moreira, completaria 79 anos, o teatro nacional ganha vida ao reimaginar suas vivências do sertão para o mundo. Destacando a sua importância na formação dos Novos Baianos, a trajetória nos trios elétricos e à reconstrução da MPB, o sertanejo é destaque do espetáculo “Moraes Musical Moreira”, que chegou pela primeira vez às salas de teatro com estreia na última quinta-feira (13), no Teatro Castro Alves, em Salvador.

O precursor da voz no Carnaval da Bahia, que revolucionou a maior festa do mundo ao lado de Dodô e Osmar, recebe uma temporada com homenagens e celebrações do Nordeste ao Sudeste do país. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela BB Seguros, com produção da Maré Produções Culturais. A sessões ficam na capital baiana até o dia 30 de agosto, com ingressos na plataforma Sympla.

A montagem conduz o público por uma travessia sensível pela obra e universo criativo de Moraes Moreira. Retratando sua odisseia sertaneja, do pequeno município de Ituaçu até ganhar o Brasil e o mundo, o cantor e violonista, ficou conhecido pelos ‘hits’ que dialogam desde Roberto Carlos até Jimi Hendrix, passando por Gil e Caetano. Essa junção, mais tarde, daria origem ao primeiro disco do grupo Novos Baianos, “É Ferro na Boneca” (1970).

Sucesso entre a comunidade alternativa, Moraes ganhava cada vez mais destaque, ao lado de artistas como Luiz Galvão, Baby Consuelo, Pepeu Gomes e Paulinho Boca de Cantor. Tendo suas músicas cantadas pela dama da canção brasileira Gal Costa, a vida e obra de Moraes Moreira também carrega o título de “primeiro cantor de trio carnavalesco”, popularizando a ‘fusão’ do samba com o rock psicodélico, chorinho e frevo, ao passo que se apresentava no Rock In Rio, no “Acústico MTV” (1995) e no projeto “50 Carnavais” na boêmia carioca.

O cantor baiano assina a genialidade por trás de músicas que ecoaram nas rádios, tais como Pombo Correio (1976), Bloco do Prazer (1979), Chão da Praça (1979) e Chame Gente (1985). Essencial para a cultura brasileira, traduzir a paixão e a criatividade d’O Vaqueiro do Som para dentro do palco é uma tarefa árdua, que ficou a cargo de nomes consolidados das artes cênicas.

O espetáculo conta com a direção da atriz e coreógrafa Ana Paula Bouzas, a fim de reverberar o legado de Moraes através da brasilidade e da alegria contagiante do artista. Construindo a identidade do musical, as direções de Arte, Musical e de Coreografia ficaram, respectivamente, com Renata Mota, a dupla João Milet Meirelles e Ronei Jorge, além do bailarino e performer Jai Bispo e sua dupla, a dançarina e professora de danças brasileiras, Isis Carla.

“A nossa visão inicial foi a de evidenciar a multiplicidade de gêneros musicais que Moraes dominava como poucos. O choro, o frevo, o baião, a bossa nova, estão presentes em sua integridade, dialogando com um coro da massa, esse Bloco do Prazer, muitas vezes em uníssono, cantando a plenos pulmões essa música que ecoa em nossas cabeças e corações”, assinam os diretores João Meirelles e Ronei Jorge.

Além da direção, o espetáculo Moraes Musical Moreira traz as duas faces do artista através do ator Cris Meirelles e do músico e cordelista Rodrigo Sestrem, em busca da Musa Música, interpretada por Júlia Tizumba. O Musical também conta com as emoções de Diana Ramos, Luisa Muricy, Kadu Veiga, Mano Leone, Nana Nevez, Ofámirô, Rapha Gouveia, Sabiá , Saulo Ilogoní e Marcos Lopes – fechando o elenco central do espetáculo. A equipe conta ainda com direção assistente de Jaya Batista, e Vinícius Bustani e Edu Coutinho como assistentes de direção. Quem assina os figurinos é a dupla Alexandre Guimarães e Diana Moreira.

Ao todo, treze atores, atrizes, multiartistas, cantoras e cantores compõem o elenco da peça, que conta com dramaturgia assinada pelo roteirista e diretor teatral Fábio Espírito Santo e coordenação geral de Fernanda Bezerra. Em cena, o elenco divide o palco com uma banda formada por seis músicos, entre eles Tarcísio Santos, Mistro, Indira Dourado, Antenor Cardoso e Fredinho, com regência da baixista Carla Suzart, assistente de Direção Musical.

“A diversidade do elenco, a movência própria de cada pessoa, em conversa com o colorido das danças populares brasileiras e das músicas de Moraes presentes no Musical são o fundamento da proposta coreográfica”, destacam Jai Bispo e Isis Carla.

Moraes Moreira
Moraes Moreira. Foto: Marcos Hermes

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