Espetáculo ‘Rainha Vashti’. Foto: Rafael Martins

Adaptado do poema de Myriam Fraga, premiada escritora baiana, o espetáculo ‘Rainha Vashti’ tem sua estreia marcada para esta quinta-feira (13), às 18h30, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM Bahia). A temporada terá doze apresentações, sempre às quintas e sextas-feiras, até o dia 12 de dezembro. Com direção, adaptação e criação das figuras de sombra a cargo de Olga Gómez, o projeto tem quatro atores-animadores por trás de uma tela de lona com seis metros de base e três metros de altura: Arthur Lustosa, Diego Neres, Hannah Pfeifer e Paulo Borges. É nesse anteparo que eles projetam as 150 figuras de sombra desenhadas.

A encenação conta ainda com narração de Rita Assemany, que dá voz ao espetáculo. O enredo da peça narra a saga da lendária rainha Vashti, esposa do rei Ashuero, a partir de um relato bíblico. Considerada a mulher mais bela do império persa, Vashti ousa desobedecer à ordem do monarca para dançar na frente dos convidados em um banquete real e é, para sempre, banida da corte. A sua recusa é vista por muitos como um ato de integridade e coragem diante do poder supremo do rei, embora com consequências pessoais severas.

O conselho dado pelos governadores persas para banir Vashti tinha como objetivo reforçar a autoridade dos homens sobre as mulheres em todo o império, mas, ironicamente, o efeito não foi exatamente o calculado. O grito de Vashti, assim, lança um esboço de rebelião à vida da época, fazendo tremer as bases do reinado. O espetáculo fala do silenciamento da voz feminina como metáfora para a fragilidade do poder.

A música de Uibitu Smetak e Amanda Smetak, pai e filha, completam a dramaturgia sonora, cuja ideia central teve como inspiração a tradição turca dos makams, um sistema de escalas que tem sua origem na Pérsia, terra da Rainha Vashti. Para Olga, unir teatro de sombra com poesia fará com que o público tenha uma experiência emotiva bastante singular e potente. “Enquanto a poesia nos torna sempre mais perspicazes e atentos, o teatro de sombras é uma arte dedicada aos sentidos, que permite a participação completa do espectador”, explica a diretora.

Ao encenar Rainha Vashti, o Grupo A RODA espera contribuir efetivamente para o desenvolvimento do teatro de sombras no Brasil, para o ainda urgente debate acerca da questão de gênero e para o estímulo à apreciação da arte poética.

Espetáculo ‘Rainha Vashti’. Foto: Rafael Martins

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