Ortopedista David Sadigursky
Ortopedista David Sadigursky. Foto: Divulgação.

Estudos citados pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) indicam que mulheres podem ter de duas a quatro vezes mais risco de lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) do que homens quando praticam a mesma modalidade esportiva. De acordo com o ortopedista David Sadigursky, especialista em joelho e trauma do esporte, essa diferença está relacionada a fatores anatômicos, biomecânicos e hormonais que influenciam diretamente na estabilidade da articulação.

Segundo o médico, a anatomia feminina costuma apresentar uma bacia mais larga, o que altera o alinhamento entre quadril, joelho e tornozelo. “Isso aumenta o chamado ângulo do quadríceps e favorece o posicionamento do joelho para dentro, conhecido como joelho valgo”, explica. Essa característica pode provocar alterações biomecânicas nos membros inferiores e aumentar a sobrecarga em estruturas da articulação, favorecendo condições como a condromalácia patelar, marcada pelo desgaste da cartilagem da patela e dor na parte anterior do joelho.

Outro fator apontado pelo especialista é o comportamento hormonal ao longo do ciclo menstrual. A variação nos níveis de estrogênio pode alterar a elasticidade de ligamentos e cartilagens, aumentando a frouxidão ligamentar em determinados períodos. “Isso eleva a suscetibilidade a lesões, principalmente em atividades que envolvem impacto, saltos ou mudanças bruscas de direção”, afirma Sadigursky. Há ainda fatores do cotidiano que podem contribuir para a sobrecarga, como o uso frequente de salto alto, que modifica a distribuição do peso corporal e aumenta a pressão sobre o joelho.

Apesar das predisposições, o ortopedista destaca que é possível reduzir os riscos com medidas preventivas. Entre elas estão manter o peso corporal adequado, fortalecer musculaturas como quadríceps, glúteos e core, além de investir em alongamentos e exercícios de mobilidade. “Dor persistente, inchaço ou dificuldade para movimentar o joelho são sinais de alerta. Procurar avaliação médica precocemente é fundamental para evitar a evolução para lesões mais complexas”, orienta.

Sobre David Sadigursky

David Sadigursky é ortopedista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre em cirurgia do joelho pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Realizou fellowship em doenças da cartilagem e trauma esportivo na Harvard Medical School, em Boston, e em artroplastia do joelho no Hospital CLINIC, em Barcelona. É membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), além de atuar como sócio da Clínica Omane e diretor de um centro de estudos em terapias celulares.

Dores no joelho. Foto: Freepik

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