
Uma nova fase se inicia na trajetória musical de Luan Sodré, que apresenta pela primeira vez um trabalho em quarteto, baseado no conceito de que diferentes lugares se entrelaçam, tecendo uma grande rede de conexões traduzida em música. Já disponível nas plataformas digitais, o álbum “TRAMA” apresenta o Luan Sodré Quarteto, sob a companhia de Alexandre Vieira (baixo acústico), Marcos Santos (bateria) e Marcelo Pinho (percussão).
O projeto conduz o ouvinte por uma paisagem sonora em que violão, baixo acústico, bateria e percussão dialogam com os sambas da Bahia, as sonoridades afrodiasporícas, de terreiro, o maracatu, o coco, o jazz e a improvisação contemporânea. O resultado é uma obra que transforma diferentes referências musicais em uma experiência marcada pelo encontro entre tradição e criação. A estreia do novo repertório acontece nos dias 3 de setembro na Casa Rosa, em Salvador.
Faixas como “Depois da Chuva”, “Até Agora, Fé no Caminho” e “Caminho das Águas” evocam princípios de continuidade, esperança, persistência e resiliência presentes nas cosmologias africanas, enquanto “Tem que se Alegrar” reafirma a alegria como tecnologia ancestral de sobrevivência. Já “Pagode Mouro” estabelece conexões entre diferentes heranças culturais presentes na formação da Bahia, o que revela a amplitude das referências presentes no álbum.
O título do disco sintetiza a ideia que atravessa todo o trabalho. Inspirado também nas obras da artista Bartira Lôbo, “TRAMA” parte da imagem de fios que se cruzam para formar um tecido. No álbum, esses fios representam lugares, experiências, memórias, tempos e trajetórias que se encontram e constroem novos sentidos por meio da música.
Embora dialogue diretamente com o pensamento afrodiaspórico, o projeto não se limita a esse campo. O álbum amplia as reflexões por meio da música instrumental. Propõe encontros entre tradição e contemporaneidade, pesquisa e criação artística, experiência individual e construção coletiva. É um trabalho que transforma conceitos em som sem abrir mão da comunicação com diferentes públicos.
Musicalidade
O novo álbum coloca no centro da narrativa temas como fé, esperança, continuidade, resiliência, alegria, amor e caminho. Mais do que explorar elementos sonoros, as sete composições traduzem em música valores, crenças e formas de compreender o mundo que atravessam a experiência afrodiaspórica.
No contrabaixo acústico, Alexandre Vieira amplia o diálogo entre cordas e percussão a partir de pesquisas sobre as tradições afro-baianas, criando linhas rítmicas que aproximam o instrumento da linguagem dos tambores. Já Marcos Santos incorpora à bateria investigações sobre experiências sonoras, corporais e espirituais negras, contribuindo para uma abordagem que combina memória, improvisação e musicalidade contemporânea.
Marcelo Pinho completa a formação com uma linguagem percussiva construída ao longo de três décadas de atuação na música baiana, reforçando a presença dos ritmos afrodiaspóricos que atravessam o disco. Os estudos sobre os sambas da Bahia e a formação construída na capoeira alimentam o processo artístico do álbum, transformando investigação em linguagem musical.

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