

À frente da Editora Voante, a escritora Manuela Dias lançou o livro “Heroínas da Independência”, ao lado da nova edição de “Maria Felipa de Oliveira”, da educadora e pesquisadora baiana Eny Kleyde Vasconcelos, no último sábado (18), na Livraria Terra Libris, em Salvador. O encontro contou ainda com um momento de debate com o professor de história baiana, Murilo Mello, em um movimento de incentivo à formação de leitores e publicar títulos que aproximam literatura, história e imaginação.
As obras nasceram de um trabalho de pesquisa iniciado a convite de Antônio Pitanga, que desenvolve um projeto cinematográfico sobre a Independência da Bahia. Ao mergulhar na trajetória de Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, a Manuela reuniu histórias fundamentais para compreender a guerra que consolidou a independência brasileira em 2 de julho de 1823.
Em “Heroínas da Independência”, a escritora transforma o episódio histórico em um poema narrativo que aproxima leitores de diferentes gerações das trajetórias de Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica. Com linguagem delicada e potente, o livro revisita a história da Independência da Bahia sob a perspectiva de mulheres que tiveram papel decisivo na consolidação da soberania brasileira, propondo uma reflexão sobre memória, identidade, pertencimento e protagonismo feminino.
Mais do que recuperar personagens historicamente invisibilizadas, as duas obras dialogam com temas contemporâneos como memória, cidadania, representatividade, cultura afro-brasileira e educação, propondo novas formas de compreender a formação do Brasil e ampliando o repertório sobre um dos momentos mais importantes da história nacional. As capas das obras são assinadas pela artista baiana Lula Cruz que, com traços delicados e expressivos, traduz visualmente a força e o legado das heroínas retratadas nos livros.
Desse percurso surgiu, primeiro, a nova edição de “Maria Felipa de Oliveira”, considerada uma das principais referências sobre a heroína baiana. Fruto de mais de dez anos de um estudo minucioso conduzido por Eny Kleyde Vasconcelos, o livro reúne fontes históricas e relatos da memória popular da Ilha de Itaparica para reconstruir o legado de Maria Felipa, pescadora, marisqueira, capoeirista e líder popular da resistência contra as tropas portuguesas durante a Guerra da Independência da Bahia.
Foi nesse contexto que a Ilha de Itaparica se consolidou como um dos principais territórios de enfrentamento ao domínio português, tendo Maria Felipa como uma de suas protagonistas na luta pela liberdade e pela dignidade humana. Ao articular pesquisa histórica e memória coletiva, a escritora devolve visibilidade a uma personagem que permaneceu por muito tempo à margem das narrativas oficiais.

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