
Abrindo novos caminhos de coragem, pertencimento e liberdade, o espetáculo “Hétero Sigilo” chega em Salvador para duas apresentações nos dias 8 e 9 de agosto, no Teatro Jorge Amado, após receber boas críticas e sessões lotadas no Rio de Janeiro. Anteriormente com apenas sessões no sábado, a peça recebeu mais um encontro: duas no primeiro dia e uma extra no domingo.
A partir de anos vivendo sob a máscara de um personagem hétero que ele mesmo criou, Bernardo Dugin traz um monólogo que constrói um relato íntimo, potente e profundamente humano. O espetáculo não é sobre assumir uma orientação sexual. É sobre o que a gente precisa esconder para continuar existindo sem ser punido por isso. A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”, afirma.
Com direção de João Fonseca, a montagem retrata entre humor, dor e libertação, como a heteronormatividade atravessa indivíduos e famílias, ensinando a mentir, a performar e a se aprisionar. A peça parte da ideia de que muitas pessoas passam a vida interpretando personagens para sobreviver socialmente.
Em cena, Dugin revisita memórias, silêncios e mecanismos de disfarce impostos pela heteronormatividade, discutindo o custo psicológico de viver sob constante vigilância emocional. “O espetáculo não fala apenas sobre sexualidade. Fala sobre os pactos silenciosos que fazemos para caber. Sobre as versões de nós mesmos que inventamos para evitar rejeição, violência ou abandono”, destaca o ator.
A peça surgiu após um episódio de homofobia vivido por Dugin e seu namorado durante uma missa de sétimo dia em Nova Friburgo, em 2023. O caso teve repercussão nacional e inspirou o artista a transformar a experiência em investigação cênica sobre medo, silêncio e pertencimento. No entanto, o espetáculo rapidamente ultrapassou o relato biográfico e passou a dialogar com diferentes públicos a partir de uma pergunta central: “quanto da nossa identidade foi moldada pelo medo de não caber?”.
Misturando humor, confissão e crítica social, o solo se consolidou como um dos fenômenos recentes do teatro carioca ao transformar experiências íntimas de repressão e pertencimento em identificação coletiva. Os ingressos estão disponíveis através da plataforma Sympla.

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