Emiliano José. Foto: Marjorie dos Anjos

Em celebração ao centenário de nascimento de um grande intelectual e historiador baiano, o auditório da Academia de Letras da Bahia (ALB) vai receber, na próxima quinta-feira (30), às 17h, a palestra “Independência do Brasil na Bahia: o olhar aguçado de Luís Henrique Dias Tavares”. Ministrada pelo acadêmico, jornalista e escritor Emiliano José, a conversa terá como foco principal os estudos de Luis Henrique Dias Tavares sobre a Independência do Brasil na Bahia.

O historiador nasceu em 25 de janeiro de 1926 em Nazaré das Farinhas. Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) dedicou boa parte de sua obra ao estudo da Independência do Brasil. Foi uma das primeiras vozes a defender que a independência do país não aconteceu de forma pacífica e que só foi possível com a guerra travada na Bahia.

Para Emiliano José esta capacidade de enxergar um contexto maior dos acontecimentos históricos é o que ele define como olhar aguçado. “O professor não ficava na superfície das coisas, nem era um cultor do lado triunfal e linear da história. Tinha um olhar amplíssimo sobre o andar dos acontecimentos, do momento histórico que ele estivesse tratando”, diz Emiliano.

O principal foco da palestra vai se o livro “Independência do Brasil na Bahia” em que Luis Henrique Dias Tavares traz uma visão mais realista do processo de independência, muito mais duro e cruel do que a visão bucólica do Grito do Ipiranga, presente por tantos anos nos livros escolares.

Emiliano José destaca uma fala do professor Luis Henrique Dias Tavares em que descreve a tropa de homens e mulheres que formavam o Exército Libertador. “Que exército entrou nas ruas de Salvador em 2 de julho de 1823? Primeiro entrou um exército popular, de pessoas escravizadas, de negros libertos, de pessoas pobres, de homens e mulheres trabalhadoras, de nordestinos de muitos estados. E também um exército quase nu, um exército de maltrapilhos, de soldados descalços, de soldados com bicho no pé e bicho no corpo inteiro. Um exército para ser quase que imediatamente cuidado nos quartéis, nos conventos, com saúde muito precária”, diz.

A descrição demonstra a crueldade das batalhas enfrentadas e a força do povo baiano em lutar por um ideal de libertação. “Por isso a obra do professor Luiz Henrique Dias Tavares deve ser permanentemente lembrada para que o Dois de Julho seja a expressão da verdade histórica e não de uma fantasia triunfalista”, conclui Emiliano José.

Palestra com foco na obra de Luís Henrique Dias Tavares, na ALB. Foto: Divulgação

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