“Anastácia”, de Lilih Curi. Foto: Divulgação

A partir desta quinta-feira (23), o Festival Visões Periféricas inicia sua 19ª edição de difusão do cinema nacional produzido fora dos grandes centros. Com a exibição de 69 produções selecionadas entre 856 inscrições, o evento homenageia o projeto Vídeo nas Aldeias e com a exibição do filme “Arquivo Vivo”, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. A programação gratuita segue até este o próximo domingo (26), reunindo obras das cinco regiões do país.

Segundo os curadores Lukas Nascimento, Quézia Lopes, Olinda Tupinambá e Wilq Vicente, nessa edição estão representados 18 estados, destacando-se produções audiovisuais com narrativas ligadas a mulheres, memória, identidades de gênero, culturas de terreiro, apagamentos históricos, vida nas cidades, questões ambientais e precarização do trabalho. Dentre os escolhidos, estão quatro produções da Bahia.

Os filmes de ficção, produzidos por baianos, lidam com temáticas vinculadas a trabalho, violência doméstica, universo LBGTQIAP+ e resistência frente a dificuldades financeiras. A obra “Jamex e o fim do medo” é o primeiro longa metragem de Ramon Coutinho, experiente cineasta oriundo do bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador, com diversos curtas no currículo produzidos desde 2011, quando foi um dos fundadores do CUAL – Coletivo Urgente de Audiovisual.

No filme, o artista plástico baiano Jamex recebe uma proposta de venda de um de seus quadros com a missão de entregá-lo em mãos a um misterioso comprador. Em todos os percalços pelos quais ele passa em direção ao seu contratante ao transitar por “Salvadolores”, uma versão futurista e quase pós apocalíptica da metrópole baiana, o filme exibe a ideia da necessidade vs. esforço hercúleo de se tentar sobreviver de sua própria arte e ganha um nível pertinente de discussão para além da eficiente metáfora trazida neste seu mote central.

“Anastácia”, curta-metragem de Lilih Curi, aborda experiências de violência psicológica e física que muitas mulheres brasileiras – e também do mundo – enfrentam diariamente. O filme dá voz às vítimas de violência doméstica e/ou familiar, expondo a dura realidade e provocando uma reflexão sobre a violência de gênero, o machismo, o sexismo e o racismo. O filme foi contemplado pelo Edital SalCine – Ano II da Prefeitura de Salvador.

Ao mesmo tempo em que performa nos palcos, “Tigrezza”, filme de Vinicius Eliziário, traz uma personagem tem que lidar com a frustração de não conseguir um boy para si, por ser “afeminado”. Enquanto isso, seu melhor amigo, Danrley é incentivado por ela a se libertar de padrões binários, reencontrando sua essência. Com um ritmo envolvente, o filme apresenta a rotina entre a boate e a casa de Tigrezza, explorando as nuances do mundo LBGTQIAP+ e demonstrando que as histórias podem ser sobre tudo, inclusive sobre preconceitos.

Por fim, “Mundinho” apresenta um conto de amor, em pleno lockdown. Sem nada melhor pra fazer, Mundinho e Litinha começam a se reconectar como casal, revivendo loucuras de amor e fantasias esquecidas em algum lugar do coração. No entanto, a falta de dinheiro e a fome vão apertando e eles têm que tomar uma decisão nada fácil: matar ou não a galinha Zefa, que tratam como filha. O filme é dirigido por Lúcio Lima, ator, cineasta e roteirista, licenciado em Teatro pela UFBA, que acumula prêmios como o de Iniciativas de Comunicação (MinC/UFRJ), o JCONEN, o Antonieta de Barros (SEPPIR) e o Periferia Viva, que o reconhece como potência criativa das favelas do Brasil.

Os filmes escolhidos foram divididos em sete mostras, sendo quatro competitivas e três não competitivas. Um júri escolherá uma obra de cada mostra competitiva como vencedora. Haverá também o prêmio de melhor filme eleito pelo júri popular. Entre as mostras do Festival Visões Periféricas estão:

  • Fronteiras Imaginárias
  • Cinema da Gema
  • Panorâmica
  • ICPLAY (não-competitivas)
  • Visões do Amanhã (não-competitivas)
“Tigrezza”, de Vinicius Eliziario. Foto: Divulgação
Cartaz de “Jamex e o fim do medo”, de Ramon Coutinho. Foto: Divulgação
Cartaz de “Mundinho”, de Lúcio Lima. Foto: Divulgação

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