
Em uma ação que presta reconhecimento à presença e à contribuição dos povos originários na formação histórica e cultural de Salvador, a Casa Verde, em Itapuã, recebe mais uma edição do programa “Patrimônio é… Rodas de Conversa Sobre Patrimônio Cultural”, nesta quarta-feira (30). Com o tema “Salvador Indígena”, o encontro propõe uma roda de conversa sobre ancestralidade, memória, território, identidade e os desafios para a preservação e valorização dos patrimônios indígenas na capital baiana.
Para conduzir o debate, a Fundação reúne convidados com diferentes trajetórias de atuação nas áreas do direito, antropologia, educação, arquitetura, urbanismo e defesa dos direitos dos povos indígenas. A proposta também busca refletir sobre os processos de apagamento histórico e os desafios para a preservação e valorização desse patrimônio, enquanto amplia o debate sobre os saberes, as memórias e os territórios indígenas que integram a identidade da cidade.
Entre os participantes está Taquari Pataxó, graduado em Direito e Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestrando em Antropologia pela mesma instituição, que contribui para a discussão a partir das perspectivas do direito, da antropologia e dos conhecimentos relacionados aos povos originários.
Tamikuã Pataxó, liderança indígena do povo Pataxó, também participa do encontro. Licenciada em Pedagogia pela Universidade Luterana do Brasil e em Ciências da Natureza pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), atua atualmente como Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, trazendo para o debate sua experiência na defesa de direitos e na atuação institucional em favor dos povos indígenas.
Completando a roda de conversa, Mandú Guyra’apuã, arquiteto e urbanista formado pela UFBA e militante da causa indígena na Bahia, aborda questões relacionadas ao território, urbanismo e memória ancestral. Sua atuação também é dedicada à difusão da cultura Tupinambá e à luta pela retomada dos territórios ancestrais.
“Quando a gente fala de Salvador Indígena, a gente está falando de uma história que não terminou. Os povos originários fazem parte da formação da cidade, mas também estão presentes no seu cotidiano, produzindo cultura, preservando saberes e lutando pelos seus territórios e pela sua identidade. O Patrimônio do dia 30 quer justamente ampliar esse olhar e mostrar que esse legado não pertence apenas ao passado”, afirmou Roberta Santucci, gerente de Patrimônio da Fundação Gregório de Mattos (FGM).

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