Muncab. Foto: Divulgação.

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, vai receber a exposição “Inclassificáveis”, que reúne parte de uma coleção com mais de 600 obras de 135 artistas brasileiros devolvidas ao país por professoras norte-americanas. O conjunto é considerado a maior repatriação de obras de arte da história do Brasil e inclui pinturas, esculturas, xilogravuras e fotografias produzidas entre as décadas de 1960 e 2000.

Após mais de 30 anos, as professoras de história da arte Bárbara Cervenka e Marion Jackson decidiram doar o acervo, formado ao longo de viagens pelo Nordeste brasileiro. Entre os artistas representados estão nomes como J. Cunha, Babalu (Sinval Nonato Cunha), Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Emma Valle, com forte presença de produções de artistas negros.

Segundo a diretora artística do Muncab, Jamile Coelho, o processo foi marcado por uma reflexão sobre o termo utilizado para definir o retorno das obras ao país. “Discutimos sobretudo acerca do uso da nomenclatura ‘repatriar’, que geralmente é utilizada nestes contextos. Em substituição, preferimos a palavra ‘rematriar’, terminologia criada a partir da poética do professor doutor Ayrson Heráclito, já que toda a narrativa desse movimento histórico aconteceu por empenho da força feminina”, explicou.

A mostra destaca a diversidade estética e cultural da produção artística brasileira, além de evidenciar trajetórias muitas vezes invisibilizadas no circuito tradicional das artes. A iniciativa também reforça o papel de Salvador como espaço de valorização da memória afro-brasileira e de preservação do patrimônio cultural nacional.

Muncab. Foto: Divulgação.

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