
Nesta quinta-feira (9), às 16h, o circuito cultural de Salvador recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena, que ocupa o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BA) com o formato de feira-festival até 9 de agosto. A exposição consolida-se como um espaço vital para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos povos, funcionando como uma plataforma onde a produção intelectual e artística indígena assume o centro do debate.
Nesta edição, as ideias de “impressos” e “impressões” guiam a mostra, reunindo a materialidade das culturas indígenas manifestada em múltiplas formas, como a literatura, a moda e as artes visuais. Mais do que suportes físicos, as obras são entendidas como registros e vivências de corpos e territórios ancestrais transportados para o presente. A mostra é produzida pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura.
Um dos destaques que o público baiano poderá conferir de perto é o painel “Jegua Marangatu” (Grafismo Sagrado), uma composição coletiva criada pelos artistas sul-mato-grossenses Miguela Moura e Edson Benites (mais conhecido como Jepa Filho, letrista profissional com quatro décadas de atuação em pintura manual), a convite da coordenadora geral Naine Terena e do curador Gustavo Caboco.
“Acredito muito que cada vez mais os espaços artísticos, como as galerias e os museus, incorporem essa responsabilidade de apresentar a arte indígena como uma forma de linguagem. Dentro da pesquisa que realizo junto ao meu povo Guarani, a linguagem é uma ferramenta, uma forma da gente comunicar dizeres. A escolha do grafismo é justamente de tentar inverter essa impressão de que as visualidades, a imagem, não transmitem dizeres. Muitas vezes, trata-se daquilo que não se diz com a boca”, destaca Miguela Moura.
No corpo do painel que será exibido no MAC Bahia, os artistas optaram por trabalhar com três grafismos sagrados específicos, pensados para moldar o movimento da obra através da ancestralidade: o Kurusu nhe’engatu jegua, grafismo que influencia para algo melhor, focado na potencialidade dos encontros. O mboi jegua marangatu, a representação da cobra sem veneno e imarangatuva jegua, o grafismo da sabedoria.
A coordenação geral do projeto, assinada por Naine Terena, reforça que a feira-exposição “brinca” com a estética das exposições de arte tradicionais em diálogo com o dinamismo das feiras independentes de impressos e dessa forma, refletir sobre como se compõe as manifestações estéticas indígenas no século XXI. O conceito expográfico da mostra também é um manifesto político e cosmológico.
Atividades educativas
Além da imersão artística, a programação em Salvador oferece atividades educativas gratuitas. Na abertura um bate-papo entre os artistas Thiago Tupinambá e Libério Uiagumeareu, com mediação de Naine Terena. No dia 10 de julho, das 15h às 18h, acontece a oficina “Comunicação para Vendas e Posicionamento de Produtos Indígenas”, ministrada por Jhonatã Gabriel, jornalista na TVE-BA e CEO da Recôncavo das Plantas.
No dia 11, das 13h às 17h, acontece o aulão “Em prol da permanência, uma reflexão sobre mercado” para Obras Literárias e Artes Indígenas, conduzido por João Victor Guimarães, crítico de artes visuais e curador independente. No mesmo dia, haverá um debate sobre a “Precificação de Obras Indígenas”.

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