Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Foto: REUTERS/Adriano Machado

A manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano pelo Banco Central gerou críticas de entidades do setor produtivo, que defendem o início do ciclo de cortes diante da desaceleração econômica. O anúncio, feito nesta última quarta-feira (10), ocorreu em um contexto de inflação em queda, perda de fôlego do mercado de trabalho e atividade em ritmo moderado. Para representantes empresariais e sindicais, o nível atual de juros restringe crédito, encarece investimentos e compromete a expansão da economia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que o BC ignorou sinais consistentes de arrefecimento da atividade ao manter a Selic. Em nota, o presidente Ricardo Alban classificou os juros como “excessivos”, destacando impacto no custo financeiro e na capacidade de investimento das empresas. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também criticou a decisão, afirmando que a continuidade do crescimento do setor em 2026 depende de uma redução mais rápida da taxa, já que o crédito caro limita lançamentos e execução de projetos.

No comércio, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) avaliou que a política monetária está desalinhada do cenário interno e externo. O economista-chefe Felipe Queiroz lembrou que países como os Estados Unidos já iniciaram cortes, enquanto o Brasil mantém uma das maiores taxas reais do mundo. Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou tom mais moderado, afirmando que a decisão era esperada diante de expectativas inflacionárias acima da meta e incertezas fiscais e internacionais.

Entre as centrais sindicais, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que a manutenção dos juros não atende às necessidades da população nem da produção nacional. A vice-presidenta Juvandia Moreira criticou o desvio de recursos do investimento produtivo para aplicações financeiras, enquanto economistas ligados à entidade apontam efeitos como queda no consumo e desaceleração do PIB. A Força Sindical classificou a decisão como prejudicial ao desenvolvimento, alegando que juros elevados dificultam campanhas salariais, reduzem o poder de compra e restringem o dinamismo econômico.

Setor Produtivo. Foto: Mariangela CTR

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