
Após receber mais de 70 mil visitantes no Instituto Ricardo Brennand, em Recife, o artista Vik Muniz desembarca em Salvador com sua maior retrospectiva: ‘A Olho Nu’. A mostra itinerante estará disponível no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia), do dia 12 de dezembro até 29 de março de 2026. O projeto reúne obras fundamentais de diferentes fases da carreira uma seleção de mais de 200 peças distribuídas em 37 séries, sendo quatro delas ainda inéditas — Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de ouro (Golden nest) e Suvenir #18.
Logo na entrada do museu, o visitante será recebido pelas esculturas tridimensionais, servindo como ponto de partida da exposição e núcleo essencial para compreender o processo criativo do artista. A maior parte dessas peças pertence à série ‘Relicário’ (1989–2025), não exibida desde 2014 e decisiva para entender a passagem de Muniz do objeto para a fotografia. O recorte curatorial privilegia montagens feitas para serem fotografadas e revela como o uso de objetos cotidianos aproxima sua obra da arte pop e popular.
A exposição segue uma linha do tempo que revela a evolução de sua criação artística: das esculturas iniciais à transição para a fotografia, chegando às séries atuais. “Essa é a primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho de Vik Muniz, com um recorte pensado para criar um diálogo entre suas obras e a cultura da região”, afirma Daniel Rangel, curador do projeto.
A mostra apresenta ainda outras três obras até então nunca exibidas no país — Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2 — vistas anteriormente apenas na exposição de Nova York, em 2022, e recentemente no Instituto Ricardo Brennand. O percurso expositivo se encerra com a série Dinheiro vivo (2023), criada em parceria com a Casa da Moeda do Brasil a partir de fragmentos de papel-moeda.
O vasto repertório de materiais utilizados por Vik — que vai literalmente do lixo ao dinheiro — sustenta a poética da ilusão e da mimetização que marca sua produção, sempre permeada por humor, crítica social e surpresa. O projeto se desdobra para dois espaços da cidade: o ateliê do artista, no Santo Antônio Além do Carmo, e a Galeria Lugar Comum, na Feira de São Joaquim, onde será apresentada uma instalação site-specific inédita (a partir da obra Nail Fetish).
A obra de Vik Muniz questiona e tensiona os limites da representação. Apropriando-se de matérias-primas como algodão, açúcar, chocolate e até lixo, o artista meticulosamente compõe paisagens, retratos e imagens icônicas retiradas da história da arte e do imaginário da cultura visual ocidental, propondo outros significados para esses materiais e para as representações criadas.

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