BaianaSystem. Foto: Filipe Cartaxo

O BaianaSystem apresenta no Rock in Rio um show construído a partir dos códigos de sua identidade musical e cultural, neste domingo (6), no Palco Sunset. Partindo do disco “O Mundo Dá Voltas”, que lança um olhar sobre um presente atravessado por catástrofes climáticas e tensões geopolíticas, o grupo reconhece que esse movimento de olhar para fora também o faz voltar a olhar para si. Um olhar para as matrizes que formam sua identidade.

É nesse percurso em direção ao próprio DNA que o BaianaSystem constrói o show do Rock in Rio. Afrorock, cultura sound system, música orquestral, vozes afrossinfônicas e diferentes derivações da música popular brasileira se encontram com referências da cultura musical latino-americana, como a cumbia e a salsa.

A presença da cantora Claudia Manzo, chilena radicada há 14 anos no Brasil e a há quatro anos no BaianaSystem, reforça ainda mais em cantos e versos combativos a conexão com a cultura sul-americana. Esse retorno às matrizes passa também pela oportunidade de estar presente e ocupar a Casa da Ponte, no Pelourinho, sede da Orquestra Afrosinfônica do Maestro Ubiratan Marques, parceiro e integrante do grupo.

O processo de pesquisa e revisitação das próprias matrizes ganha amplitude nas voltas que o BaianaSystem faz pelo Brasil com o show “Nossa Cultura em Primeiro Lugar”, se aproximando de músicos, mestres, manifestações das culturas populares locais e criando encontros que alimentam sua própria construção artística.

No Rock in Rio, todo esse processo ganha uma expressão própria. Com direção de Alice Carvalho, Russo Passapusso e Filipe Cartaxo, o show articula essas matrizes por meio de encontros que fazem parte das referências do BaianaSystem. Entre os convidados estão Antônio Carlos & Jocafi, mestres do samba e da música brasileira, e Ranking Joe, mestre da cultura sound system.

Alice Carvalho também participa do show, entre voz e declamação. A formação reúne ainda As Afrossinfônicas (vozes femininas da orquestra), três sopros femininos e a performance corporal do artista potiguara Juão Nyn, ampliando o conjunto de vozes que atravessa o espetáculo.

O show no Rock in Rio também marca a estreia do triolim no palco do BaianaSystem. Criado por Dodô, um dos inventores do trio elétrico, o instrumento integra, ao lado da guitarra e da guitarra baiana, a formação instrumental do trio elétrico. Com sonoridade própria e de peso, chega ao palco como mais um elemento dessa matriz musical.

Alice Carvalho. Foto: André Cherri
Antônio Carlos e Jocafi. Foto: José de Holanda

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