
Filmado em Salvador, o documentário “Mulheres do Bando”, primeiro longa-metragem da cineasta baiana Thamires Vieira, estreou com pé direito e conquistou o Troféu Candango na Mostra Caleidoscópio, na categoria Melhor Curta-Metragem escolhido pelo Júri Jovem, no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A premiação aconteceu durante o encerramento do evento, no último sábado (29), no Distrito Federal.
O filme reúne atrizes de diferentes gerações do Bando de Teatro Olodum, uma das mais importantes companhias negras de teatro do Brasil, em um mergulho afetivo e político pelas memórias, experiências e transformações vividas por essas mulheres dentro e fora da cena. A produção olha para a trajetória do grupo a partir de suas atrizes, que construíram parte importante da história cultural de Salvador e do Brasil.
“É uma emoção muito grande, passar por esse momento, começar o filme por aqui, por esse festival, nesse cinema, ser premiada pelo Júri Jovem com um texto tão emocionante sobre a importância desse trabalho. Acho que nasce uma artista que estava já em processo”, celebra Thamires Vieira, diretora do filme.
Entre arquivos, ensaios, improvisações, conversas e silêncios, o documentário aproxima diferentes gerações para investigar o que permanece, o que se transforma e aquilo que ainda precisa ser dito. O elenco do documentário é composto por Edvana Carvalho, Valdineia Soriano, Merry Batista, Cassia do Valle, Luciana Souza, Rejane Maia, Arlete Dias, Naira da Hora, Jamile Alves e Ella Nascimento.
Produzido pela Terá Filme e distribuído pela Fistaile, “Mulheres do Bando” revisita essa trajetória e exalta o protagonismo e o legado dessas mulheres na cultura brasileira, por meio de estímulos na sala de ensaio, processos criativos, depoimentos e material de arquivo.
No filme, essa história é revisitada a partir das experiências de suas atrizes, que compartilham lembranças pessoais e coletivas atravessadas por questões de raça, gênero, afeto, pertencimento e transformação. Ao colocar em diálogo diferentes tempos e perspectivas, Thamires Vieira constrói uma narrativa sobre o que significa ser uma mulher negra em cena e na sociedade brasileira.
Bando de Teatro Olodum
Criado em Salvador, em 1990, o Bando de Teatro Olodum completa 36 anos de existência em 2026, ano que passou a ser também Patrimônio Imaterial da capital baiana. Ao longo de sua trajetória, o grupo se consolidou como referência do teatro negro brasileiro, utilizando a arte como espaço de afirmação da identidade, enfrentamento ao racismo e valorização da cultura negra baiana.
Com mais de 20 peças teatrais e 04 produções audiovisuais, incluindo o grande sucesso dos palcos e das telas, “Ó Paí, Ó”, o grupo também revelou nomes consagrados no teatro, cinema e televisão nacional, como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Érico Brás, Edvana Carvalho, Valdineia Soriano, entre outros.

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