Salvador nublada. Foto: Jefferson Peixoto

Após um período de aquecimento gradual das águas do Oceano Pacífico, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou, na última quinta-feira (11), a formação do El Niño para 2026-2027. O fenômeno integra o ciclo climático do planeta e se contrapõe a sua “irmã”, a La Niña. Com as águas pacíficas mais quentes, a condição gera diversos impactos ao redor do globo, como a alteração do padrão de chuvas e secas, assim como, na temperatura.

Os meteorologistas agora estudam qual será a gravidade da intensidade do fenômeno, com atuais 63% de chance de ser um nível elevado, o que pode se aproximar de um “super El Niño”. Com duração de cerca de doze meses, o fenômeno tem consequências no Brasil ao causar, historicamente, uma possibilidade maior de seca no Norte-Nordeste e temporais no Sul — sendo um dos fatores que contribuíram para a tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024.

Para entender melhor os possíveis impactos do El Niño na atmosfera baiana, o Anota Bahia conversou com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), autarquia vinculada à Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema). A entidade informou que realiza o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas associadas ao fenômeno para avaliar as consequências e definir estratégias de acompanhamento.

Segundo os especialistas da pasta, o estado já se encontra sob influência do El Niño e, com base nas projeções dos principais centros internacionais de monitoramento climático, deverá atingir seu pico de intensidade entre o final deste ano e o início de 2027. A principal tendência é de aumento das temperaturas em grande parte do território baiano. Os estudos também apontam um possível atraso na entrada do período chuvoso nas porções centro-sul e oeste.

“As maiores preocupações estão relacionadas aos impactos sobre as culturas agrícolas de sequeiro, ao aumento do risco de incêndios florestais e às localidades cujo abastecimento hídrico depende de fontes mais vulneráveis à redução das chuvas, especialmente onde não há grandes reservatórios de regularização”, informa o Inema.

Para Salvador e demais regiões da faixa leste do estado, os impactos sobre as chuvas tendem a ser mais modestos. Historicamente, os principais efeitos observados nessas áreas estão associados à elevação das temperaturas, o que pode intensificar a sensação de calor e aumentar a demanda por água e energia. O El Niño não influencia tanto em relação às chuvas na capital baiana.

Salvador
Salvador. Foto: Leonardo Dourado

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