Luís Guimarães

Alexandre Baldy – VP sênior da BYD no Brasil traça análise da mobilidade elétrica no país

    Alexandre Baldy. Foto: Luís Guimarães

    A BYD realizou, na última terça-feira (9), a apresentação do BYD ATTO 2 DM-i Flex e de novas iniciativas da marca no mercado brasileiro. O evento, que aconteceu em São Paulo, reuniu executivos e convidados para detalhar a estratégia de expansão da montadora no país. O Anota Bahia esteve presente na capital paulista e acompanhou as novidades da empresa, que inicia uma nova fase no país.

    Dentre os novos lançamentos, projeções de mercado e planejamentos, um dos destaques é a inauguração que se aproxima dos prédios que vão concretizar a fabricação local da marca, com estamparia, soldagem e pintura. A movimentação é mais um passo para a fabricação completa dos carros em solo brasileiro.

    Em entrevista ao site, o vice-presidente sênior da BYD do Brasil, Alexandre Baldy, também head de marketing e comercial da BYD Auto, comentou sobre a importância da Bahia para a empresa e que a companhia vai inaugurar novos prédios no país voltados aos processos de funilaria e pintura — consolidando mais um passo rumo à produção local completa. Segundo ele, o BYD ATTO 2 será produzido no Brasil, dentro do plano de expansão industrial da marca.

    A situação atual da malha de pontos de recarga pelo território brasileiro e a sustentabilidade da mobilidade elétrica também foram abordadas por Alexandre Baldy. As falas reforçam o movimento da BYD de ampliar sua estrutura industrial no Brasil, com foco em verticalização da produção e fortalecimento da cadeia automotiva nacional, tendo a Bahia como um dos pilares estratégicos dessa operação.

    Como a BYD avalia hoje o momento global da mobilidade elétrica e qual é o papel da Bahia dentro da estratégia internacional da companhia?

    A BYD hoje é líder global em vendas de carros de novas energias, carros híbridos e carros elétricos. E o Brasil hoje é o país que mais cresce no mundo neste quesito. De janeiro a maio, nós crescemos 98% se comparado ao mesmo período do ano passado. É a nossa verdadeira vitrine para o mundo e a Bahia é a nossa fábrica nessa vitrine, para que a gente possa fazer da Bahia e do Brasil esse hub para atender os brasileiros, mas para atender o mercado sul-americano e latino-americano.

    A concorrência entre montadoras tradicionais e players especializados em eletrificação tem se intensificado. Na visão da BYD, quais são hoje as principais vantagens competitivas nesse novo cenário?

    Eu enxergo que cada vez mais o consumidor se torna mais exigente, cada vez mais conhecedor das tecnologias. Hoje a gente percebe uma realidade: o carro semi-novo, que não é híbrido nem elétrico, as pessoas têm tido dificuldade de poder comprar no mercado — carros que oferecem desvalorização maior do que a média. Imagine só, nós estamos falando de uma medida extremamente controversa, porque até pouco tempo falávamos que os carros elétricos desvalorizavam mais do que o carro tradicional a combustão. Hoje está provado que é uma verdadeira inversão. Os carros elétricos em média, pelo mercado que compra e vende carros semi-novos, é melhor avaliado, se vende mais rápido e se torna cada vez mais objeto de desejo, segundo os veículos especializados brasileiros. Isso porque é mais econômico, mais tecnológico, mais inovador e mais sustentável.

    Por muito tempo, o carro elétrico foi totalmente visto como um produto de alto valor. Com o “boom” das montadoras elétricas no mercado brasileiro, você acha que esse acesso está mais democratizado?

    Olha, o carro elétrico antes da BYD era um carro feito para rico. O rico comprava carro elétrico. Nós promovemos uma grande revolução quando lançamos o BYD Dolphin, tornando-se o carro mais acessível. Hoje, nós percebemos pelas ruas de todo o Brasil e inclusive na nossa querida Bahia, Dolphin Minis sendo utilizados por pessoas que têm o carro como ferramenta de trabalho, que precisam do carro como seu ganha-pão e que colocam, adicionalmente, uma renda extra de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês, fazendo com que ele viva melhor, fazendo com que ele ofereça um serviço melhor, porque é um carro mais tecnológico, mais inovador, mais moderno, a percepção do cliente é muito melhor. E agora com o BYD Atto 2, um SUV mais acessível, com custo de aquisição menor, nós damos aqui mais um passo à direção do brasileiro para dizer a ele que a gente quer trazer o que há de melhor no mundo, sendo fabricado no Brasil, fabricado na Bahia. Tudo mais acessível para que ele possa fazer o bom uso com a sua família.

    Um dos principais gargalos da mobilidade elétrica ainda é a infraestrutura de recarga. O que falta hoje para destravar esse crescimento no Brasil?

    A BYD investe para que a gente possa fazer essa transição da mobilidade pelas ruas do Brasil. Certamente, muitas startups e empresas estão investindo para poder também levar a infraestrutura. É uma mudança de cultura. Você se libertar do posto gasolina e levar ele para a garagem da sua casa custa 5 a 6 vezes menos para o seu bolso. E essa mudança de cultura leva tempo. Mas as pessoas vão percebendo o quanto ela é efetiva em termos de redução e de ganho econômico financeiro. E nessa percepção, também tem um investimento na necessidade da recarga eventual pelas ruas. O Brasil vem crescendo e vem expandido muito forte esse investimento na infraestrutura de recarga nas vias públicas. Certamente com o crescimento do mercado de eletrificados, liderados pela BYD vai crescer cada vez mais.

    Como a BYD responde às discussões sobre sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de produção, especialmente baterias e origem de materiais?

    Existe todo um plano para que a gente possa ter o aproveitamento da bateria. A bateria BYD, a Blade Battery, dura até 30 anos e tem 5 mil ciclos de duração. Imagine só, o BYD Dolphin tem 400 km de autonomia. Se você multiplicar esses 400 km de autonomia de 100% a 0% por 5 mil, são 2 milhões de quilômetros. Então o carro vai ter completamente desintegrado quando chegar aos 2 milhões de quilômetros. Nisso a gente tem a percepção que mesmo assim, já tendo seus componentes e aos 2 milhões de quilômetros, o carro tradicional você sabe que ele já estaria descartado, mas a gente utiliza a bateria com outros métodos e outros segmentos. Além disso, 99% da bateria hoje já pode ser reciclado ou reutilizado para que a gente possa, dentro desses outros segmentos, ter o entendimento que 100% das baterias serão recicladas ou serão reutilizadas.

    Lançamento do BYD Atto 2. Foto: Luís Guimarães

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