Luís Guimarães

Matheus Farani – especialista revoluciona com novo método e avalia cenário do emagrecimento e equilíbrio hormonal

    Matheus Farani. Foto: Divulgação

    A adoção de hábitos mais saudáveis e uma maior preocupação com a saúde e bem-estar, são pilares que vêm sendo priorizados pelos brasileiros nos últimos anos. Cerca de 67% traçou como objetivo para 2026 o aumento da prática de atividades físicas e 64% pretendem melhorar a dieta, segundo dados levantados pela Toluna, plataforma global de pesquisas de mercado. Essa tendência está acompanhada por uma ebulição de conteúdos na internet sobre treinos, dieta e pela alta disponibilidade de canetas emagrecedoras, que tornam imprescindível o acompanhamento de um médico especializado para garantir a segurança e eficácia do processo.

    Pensando nisso, o médico, pesquisador e palestrante internacional, Matheus Farani, desenvolveu o Método FAROS com cinco etapas que buscam entender e orientar o diagnóstico à manutenção do processo de cada paciente. Baseado na ciência e em uma abordagem humanizada, o tratamento avalia o histórico, objetivos e composição corporal para iniciar o planejamento de estratégias que respeitem a rotina e o contexto de cada pessoa.

    Em entrevista ao Anota Bahia, o especialista explicou como o FAROS não está focado somente no emagrecimento e no controle hormonal, mas também atua na energia, disposição, produtividade, autoestima e longevidade saudável dos pacientes. Durante a jornada, o progresso é analisado de forma constante e orientada, junto à adoção de hábitos que facilitem a consolidação dos resultados.

    O médico ainda reforçou que é preciso continuar o combate à banalização da hormonalização. Farani aponta que muitos se dizem especialistas e indicam o uso de hormônios e medicamentos de forma depravada, o que ocasiona em mitos e medos associados ao uso. Entre 2023 e 2025, a procura por consultas em endocrinologistas cresceu 62,3% no Brasil, segundo dados da Doctoralia.

    Toda a credibilidade, tecnologia, inovação e cuidados com os pacientes são fatores que o médico acredita que auxiliam no processo de longevidade. “No final das contas, o diferencial mesmo, daqui a uma década, por exemplo, vai ser o cuidado humano, que está se perdendo. Mantê-lo vai ser a grande essência”, expõe.

    Formado pela FAMEMA, Matheus é reconhecido internacionalmente por sua atuação científica voltada à otimização metabólica, composição corporal, hormônios e longevidade. O especialista também tem passagens acadêmicas na Florida International University (EUA) e na Universidad Complutense de Madrid (Espanha), sendo o único brasileiro com autoria principal de trabalho aprovado na American Obesity Association 2026, em San Diego.

    O Instituto Faros será apresentado oficialmente ao público durante um evento em Salvador. O que esse momento representa para o senhor e o que os convidados podem esperar dessa apresentação do Método FAROS?

    A ideia desse próximo evento é justamente apresentar o Método Faros. É um momento que representa algo muito valioso pra mim, porque eu vou estar difundindo uma ideia, um conceito, muito mais do que a simples apresentação, abertura oficial da clínica. E os convidados podem esperar um momento muito aconchegante, afinal, o local escolhido, que vai ser o Mistura de Itapuã, ele traz consigo, não só pelo local em si, mas pela culinária, pela proposta gastronômica, algo diferenciado. Então, eles não vão ter meramente uma aula, uma exposição de ideias, mas vão conhecer um conceito.

    O Método FAROS nasce propondo uma mudança na forma como a medicina é praticada. O que levou o senhor a desenvolver essa metodologia e quais lacunas ela busca preencher no cuidado com o paciente?

    O que me levou a isso foi justamente observar a medicina de hoje em dia como sendo algo muito protocolado, muito ‘copia e cola’. Então o Método Faros busca preencher principalmente a lacuna de cuidado e a lacuna de assistência e personalização. São cinco pilares do método Faros: o ‘F’ ele tem a ver com fundamento, então tudo que é prescrito para o paciente tem base científica sólida, nada é da minha cabeça, nada é do que eu acho, ou que eu inventei. O ‘A’ tem a ver com aplicabilidade, então tem que ser aplicável. Se o paciente tem alguma objeção em relação a crenças, logística, não consegue vir à clínica na frequência pré-determinada, financeira, aquilo que foge do orçamento, então deixa de ser aplicável, tá? Uma nova proposta é feita. Não existe o cenário do meu paciente ter que pensar, ‘ah, vou pensar para ver se dá isso aqui’. Ou é aplicável ou não é. Se não for aplicável, uma segunda, terceira, quarta solução vai ser proposta.

    O ‘R’, ele tem a ver com resultados dentro de um contexto. Ou seja, o paciente vai ter o resultado, só que o resultado que ele vai comparar com ele mesmo, com a condição de saúde que ele tem naquele momento, com os marcadores antropométricos de percentual de gordura, com fotos dele versus dele e não com terceiros. O ‘O’ tem a ver com orientação, então o meu paciente ele é orientado, ele é iluminado durante todo o processo. Não existe o cenário do meu paciente ir na clínica tomar uma injeção e não saber nem o que é que tem lá dentro. ‘Eu tô tomando umas cápsulas de lá que o doutor passou pra mim’, e não sabe nem o que é que é, tá? Então o paciente, ele é orientado. Tudo muito bem explicado. Não é a toa que consulta dura duas horas, consultas de recorrência, uma hora, justamente porque a orientação é sempre um pilar sólido. E o ‘S’ tem a ver com superação contínua. Então o meu paciente, ele entende que o tratamento não tem um fim em si mesmo, tá? O tratamento, ele continua enquanto o paciente continua se amando, amando a sua melhor versão. Então eu não preciso prender o meu paciente. O meu paciente, ele quer voltar, ele quer continuar o tratamento.

    Eu vivo na pele a obesidade. Meu pai chegou a fazer cirurgia bariátrica, eu tive diversos processos de perda e reganho de peso. Tive tratamentos frustrados, ao longo da minha história, então o Método FAROS surge também do meu sofrimento, da minha dor, de conseguir entregar isso pra todos os pacientes, não só no âmbito da obesidade, mas como saúde.

    Hoje, muito se fala em emagrecimento, mas o senhor defende que o foco deve ser a saúde metabólica. Por que essa mudança de perspectiva é tão importante?

    Quando a gente fala em emagrecimento é você perder gordura e preservar massa muscular. Perder peso pode ser qualquer coisa. Olhar apenas para o emagrecimento e, às vezes, para a perda de peso, é um erro, porque a gente está olhando apenas para a superfície. Entender a saúde metabólica do paciente, até mesmo o comportamento do paciente quanto aos alimentos, entender a história desse paciente em relação ao seu ganho de peso é algo muito mais importante. Então mudar suscetível é algo essencial, não dá para a gente olhar apenas para casca, a gente tem que olhar realmente para o cerne, para o centro e para o paciente, para a história do paciente. A gente não trata números, a gente trata uma história.

    A proposta do Instituto Faros é substituir protocolos padronizados por estratégias personalizadas. Na prática, por que duas pessoas com o mesmo diagnóstico nem sempre devem receber o mesmo tratamento?

    A ideia de estudos FAROS é quebrar protocolos. Aqui a gente não tem protocolos, a gente tem tratamentos. Então, consequentemente, duas pessoas com mesmo diagnóstico de obesidade, por exemplo, vão receber tratamentos distintos. Não é sair pré-escrevendo mounjaro, tirzepatida pra todo mundo. Eu tenho pacientes que, inclusive, nem têm indicação formal de utilizar o mounjaro e têm resultados fenomenais. Então, uma vez que você olha pra história, você trata uma história, você sempre vai ter um tratamento diferente. Porque toda pessoa vai ter uma história única, diferente, apesar de ter o mesmo diagnóstico.

    Os medicamentos para perda de peso transformaram o tratamento da obesidade. Como o senhor enxerga esse avanço e quais cuidados são fundamentais para que eles sejam utilizados de forma segura e eficaz?

    Realmente, os medicamentos para a perda de peso transformaram completamente a obesidade, que até pouco tempo nem era considerada doença. Eu enxergo os avanços no tratamento da farmacológica da obesidade como algo fenomenal, que mudou o curso da história. No entanto, ao mesmo tempo, é algo que deve ser lido com muita cautela, porque muita desinformação vem associada. Há pouco tempo atrás, existia desinformação do risco de ser algo perigoso, que fazia mal. ‘O fulano está tomando remédio para emagrecer’, é uma conotação negativa. E hoje a gente tem uma conotação de banalização.

    Todo mundo está aí tomando mounjaro, sem indicação médica, sem nenhum tipo de acompanhamento, de fontes duvidosas, de origem desconhecida. Então, a gente tem que ter, sobretudo, o acompanhamento médico, porque não é só para você ver o remédio. E quando tiver um problema, tiver um colateral? Porque, por menor que seja o risco associado a ter nada colateral, ele existe. E quando der problema, quem que vai ser procurado? O médico. Então, o principal caminho é buscar um acompanhamento e adquirir os medicamentos de uma fonte segura. Ou uso com prescrição, ou uso feito em consultório, com toda a supervisão da equipe médica e enfermeiros.

    Como você enxerga esse aumento do uso do mounjaro ou outras canetas emagrecedoras, que acaba se tornando a prioridade de algumas pessoas, ao invés de atividade física e hábitos saudáveis?

    Esse é um grande problema. A pessoa direcionar todas as fichas apenas para o mounjaro e às vezes até para coisas que nem existem ainda, como por exemplo a retatrutida. Muita gente está achando que está tomando retatrutida, mas está tomando outra coisa. A substância ainda não foi formalmente lançada. Por curiosidade, a empresa que está desenvolvendo a retatrutida, a Eli Lilly, investiu mais para conceber a molécula do que o que foi investido para o homem ir até a lua ou para o foguete dar ré. Então a pessoa coloca todas as fichas apenas no fármaco e esquece que a base é a mudança do estilo de vida. É realmente seguir um plano alimentar, ter ajustes na alimentação, ter atividade física, porque uma vez que você retira o medicamento, se você não tem a mudança de vida, você não consegue sustentar o peso perdido. Então uma coisa não exclui a outra, é um dos pilares.

    Equilíbrio hormonal virou um tema popular nas redes sociais, mas também cercado de desinformação. Quais são os principais mitos que o senhor observa no consultório?

    Sim, o equilíbrio hormonal virou algo banal. Hoje em dia todo mundo é especialista em hormônio, sabe de hormônio, indica utilizar testosterona, indica utilizar esteroides anabolizantes a torto à direita. Sobretudo não médicos. E isso é péssimo porque quem precisa, quem vai se beneficiar do tratamento, às vezes, cai nessa banalização, cai no medo, né? Ainda existe associação, por exemplo, entre entre reposição hormonal em mulheres e câncer de mama. Existe essa ideia de que vai causar câncer de mama. Então muita mulher que tá ali no climatério, na menopausa, que se beneficiaria do tratamento hormonal, fica desassistida. Também o homem que tem baixa testosterona, que precisa de testosterona pra poder viver mais, reduzir risco cardiovascular, melhorar perfil de colesterol, risco de diabetes, fica privado do tratamento porque existe aquela ideia de que testosterona é bomba. É o que eu mais vejo num consultório, o paciente que ele chega ali cheio de mitos relacionados a riscos, né? A estigmas, a rótulos, que precisam ser quebrados.

    O senhor realizou parte da sua formação e especialização nos Estados Unidos. Quais experiências mais influenciaram a construção da filosofia do Instituto Faros e do Método FAROS?

    O principal legado de eu ter realizado minha formação e ter uma produção acadêmica nos Estados Unidos, são 14 trabalhos que eu pude apresentar em congresso internacionais, todos eles em inglês, apresentações orais. Nos últimos dois anos, eu estive em Washington e apresentei quatro trabalhos sobre a parte hormonal, relacionado sobretudo com os homens. Esse ano estive em San Diego, na Califórnia, em Scottsdale, no Arizona, apresentando trabalho no Congresso Americano de Obesidade, nesse caso focando no público feminino, e novamente sobre testosterona, em Scottsdale, no Congresso Americano de Andrologia.

    O que eu tive de legado principal para o Método FAROS é justamente o pilar de fundamentação teórica sólida. Para você pisar num palco fora do país e você conseguir beber direto da fonte não é a partir de indicações políticas ou amizades, é realmente por mérito. Você ter um trabalho aprovado no Congresso Internacional ou Mundial pra apresentação não é algo simples, não é algo tão fácil assim. Então eu carrego de heranças principais o ‘F’ de Fundamentação Teórica, então tudo muito sólido, e o pilar da letra ‘O’ de orientação, de saber realmente orientar o meu paciente, por ter essa vivência.

    A medicina preventiva e a longevidade ganharam protagonismo nos últimos anos. Na sua avaliação, qual será a maior transformação da medicina na próxima década e como o Instituto Faros pretende contribuir para essa nova forma de cuidar da saúde?

    Por incrível que pareça, para mim a principal transformação da medicina na próxima década vai ser em relação a valorizar ainda mais o cuidado humano. Nós temos muitas tecnologias, com a IA, pesquisa avançou significativamente, drogas, fármacos, mas o capital humano que vai ser o mais valorizado, de você ter uma pessoa que realmente vai olhar para você e cuidar de você, que não vai apenas te passar um medicamento, que vai apenas olhar para números no exame.

    O Instituto FAROS, ele vai contribuir com essa forma de cuidar a saúde, mantendo o aspecto humano, o pilar do cuidado, do acompanhamento, da orientação. Esse que é o ponto. Então, pensa-se muito na revolução, em testes genéticos, que é o que a gente já faz no Instituto FAROS, por exemplo, mas, no final das contas, o diferencial mesmo, daqui a uma década, por exemplo, vai ser o cuidado humano, que está se perdendo. Mantê-lo vai ser a grande essência.

    Matheus Farani. Foto: Divulgação

    Receba também as atualizações do Anota Bahia no: ThreadsGoogle NotíciasTwitterFacebookInstagramLinkedIn e Spotify