
Mais de quatro décadas depois do lançamento do álbum de estreia, “Seu Espião” (1984), o Kid Abelha retorna aos palcos com seus integrantes originais: Paula Toller, Bruno Fortunato e George Israel. A turnê “Eu Tive Um Sonho” desembarca em Salvador no dia 1º de agosto, na Arena Fonte Nova, em shows que passarão por várias capitais brasileiras. O projeto chega como uma espécie de presente para os fãs do Kid, já que desde a última vez que tocaram juntos, os três integrantes da banda seguem por caminhos múltiplos artísticos.
A banda passou por seu primeiro hiato em 2007 e ficou longe dos palcos até 2011, quando retornaram para para turnês e projetos comemorativos de 30 anos. Em 2013, o grupo voltou a interromper suas atividades, desta vez para que os três integrantes pudessem se dedicar aos seus projetos pessoais. Para este novo reencontro, a cantora e compositora Paula Toller contou, em entrevista exclusiva ao Anota Bahia, que o processo foi se desenhando aos poucos.
Após um crescimento no interesse dos fãs em verem o trio reunido mais uma vez, a vontade se uniu à força do repertório, ficou definido o retorno aos palcos. “O Liminha, nosso diretor musical, foi fundamental para que acontecesse. Trabalhamos muito em arranjos e dinâmica, com uma banda fora de série, para fazer jus a toda a mega estrutura que preparamos com o Gringo Cardia. Além disso, temos um visual espetacular e figurinos que eu adoro”, diz a cantora.
O maior desafio para a “reunion” dos abelhas foi resumir a carreira em um único setlist, de modo a agradar os fãs, que continuaram acompanhando a e conhecendo a banda ao passar das gerações. “Existe um carinho enorme pela história, nosso repertório tem músicas feitas em várias décadas diferentes, e todas significaram uma evolução em relação às anteriores”, conta a vocalista.
Em meio a uma discografia extensa com diversos sucessos, como “Pintura íntima”, “Como eu quero”, “Fixação”, “Lágrimas e Chuva” e “Nada sei”, é comum que alguma faixa tenha um carinho especial por parte de quem deu voz às letras e aos fãs. Ao revisitar o repertório para a turnê “Eu Tive Um Sonho”, Paula revela que se surpreendeu com a recepção de “Peito Aberto”, do álbum mais recente. A canção foi a mais votada pelos fãs para o setlist e uma das que a cantora mais tem afeto.
A artista carioca atribui esse constante crescimento das músicas do Kid Abelha como um fator geracional. Durante a conversa, ela celebrou que os sucessos continuem presentes nas rádios, playlists e alto falantes de muitos brasileiros ganhando significado para cada vez mais pessoas.
“Sempre foi nosso objetivo criar canções atemporais. O fato de as músicas continuarem circulando, sendo ouvidas e redescobertas, indica que acertamos. Quando chegam em novas gerações, elas ganham outros significados e passam a fazer parte da vida das pessoas de uma forma muito própria”, destacou Toller.
Essa “capacidade de atravessar o tempo”, conforme definiu a artista, é justamente uma das maiores conquistas de sua carreira. Para além de prêmios e os mais de 9 milhões de discos vendidos, o impacto e resistência das composições é valorizada por Paula. “Nós começamos explodindo, tivemos algumas crises, mas sempre voltamos com tudo, evoluindo e conseguindo fazer um sucesso cada vez maior”, avalia.
Trajetória artística
Quando Paula Toller iniciou sua jornada, em 1984, diversos grupos e nomes também emergiam e alcançavam sucesso na década, como Legião Urbana, Barão Vermelho, Gal Costa, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Milton Nascimento, Rita Lee, Djavan, Roupa Nova, Lulu Santos, entre outros. A cultura e movimentos artísticos tiveram parte central para a influencia da identidade vocal e estética de Toller, que enalteceu suas referências.
“A gente estava vivendo um momento de muita efervescência, eu olhava meus ídolos do Brasil e de fora, aprendia o modo de me movimentar, de cantar, gostava de imitar as cantoras…Gal, Clara, Rita… mas com músicas próprias, letras urbanas, contemporâneas”, relembrou.
Grandes festivais também começavam a surgir pelo país, como o Rock in Rio, em 1985. O Kid Abelha, inclusive, foi uma das atrações do evento musical, apenas um ano após do seu álbum de estreia. Naquele cenário, os artistas e o público viam muitas sonoridades novas surgindo, fato que ainda é observado hoje, quatro décadas depois, com grandes eventos como Lollapalooza, The Town e Universo Paralello.
A música continua a ser transformada, explorada e levada a novos horizontes. “Sem dúvida. O artista muda, a vida muda, e isso se reflete na arte. Até o jeito de interpretar as músicas vai mudando. É um processo de amadurecimento e aprofundamento”, entende Toller.
Ao longo da carreira, ela acompanhou mudanças profundas na indústria musical. Os lançamentos passaram pelo vinil, CDs até chegar ao streaming e nos meios digitais, impactando o processo criativo e estratégias dos artistas.
“Cada momento tem suas características, e o artista tem que se adaptar a isso se quiser continuar sendo ouvido. Hoje, por exemplo, não dá mais pra fazer introduções longuíssimas para as músicas, como nós gostávamos. Tem que ser mais objetivo”, contou Paula, ao analisar as mudanças do mercado fonográfico.
Turnê “Eu Tive Um Sonho” em Salvador
A capital baiana recebe o espetáculo no dia 1º de agosto, na Arena Fonte Nova, reforçando o protagonismo da cidade no circuito de grandes turnês nacionais e internacionais.
O show promete estrutura grandiosa e uma experiência nostálgica, mas atualizada. Em Salvador, o show deve movimentar não apenas fãs locais, como também turistas, consolidando a cidade como parada estratégica em grandes eventos musicais.
“Eu estive duas vezes na Concha Acústica absolutamente lotada com o show ‘Amorosa’. A Bahia tem uma energia muito maravilhosa. É um público muito envolvido, que participa, que canta e nos encanta”, finalizou Paula Toller.




