
Apesar de ter iniciado a trajetória como uma loja de calçados, a Insinuante se destacou nas décadas seguintes no varejo de móveis e eletrodomésticos, marcando época para cidades do Nordeste e Sudeste. Fundada em 1959 por Atenor Batista, em Vitória da Conquista, a empresa viu seu declínio se iniciar em 2010, quando se fundiu com a Ricardo Eletro, de Minas Gerais, dando vida a Máquina de Vendas. Mesmo com o domínio nas vendas, a holding enfrentou diversos problemas internos e, entre 2015 e 2016, acumulava dívidas bilionárias que condenou a Insinuante à falência.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o marqueteiro Fernando Miranda viralizou ao contar a história da marca, analisando os momentos cruciais do início até o fim das operações. Dentre os marcos destacados no vídeo, está a vinda da Insinuante para Salvador com o filho do fundador, Luiz Carlos Batista, que abriu uma filial na Baixa dos Sapateiros. Na sequência, ele começou a investir em publicidade com propagandas na TV Itapoan nos horários de intervalo dos programas do Silvio Santos.
O jovem ainda contratou um locutor para imitar o icônico apresentador. “O Nordeste inteiro passa a acreditar que o Silvio Santos era o dono da Insinuante, de tanto que aparecia na TV. O laranja vibrante que Luiz escolheu para a marca estava em cada esquina da Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão”, conta Fernando Miranda.
O marqueteiro ainda destaca o período em que compraram as empresas Citilar, Eletro Shop e Salfer, momento que grupo chega a 1.200 lojas e vira o maior varejista do Brasil em número de unidades. Com seis presidentes diferentes, nos anos seguintes, a Insinuante continuava forte na cabeça do consumidor, mesmo com os problemas de gestão. O grupo achou como solução acabar com a marca Insinuante e focar somente na Ricardo Eletro — erro de Fernando considera crasso.
“O nordestino que comprava na Insinuante não queria outra loja. Quando o laranja sumiu das ruas, as vendas também sumiram. A dívida chegou a R$ 4 bilhões, as 1.200 lojas viraram um pó e a falência chegou a ser decretada. Quando você mata o que o cliente ama, você não transfere o amor para outra marca, você simplesmente mata o amor. Só que aí fica a pergunta: você acha que teria como salvar a Insinuante migrando para e-commerce e revitalizando a marca ou ela ia morrer de qualquer jeito e vender para Ricardo Eletro foi a melhor decisão?”, questiona o marqueteiro.
@fernandomiranda777_ A Insinuante não morreu porque deixou de ser lembrada. Morreu porque a gestão tentou apagar justamente o ativo mais valioso que ela tinha: a marca. Esse é o ponto mais cruel da história. Às vezes, no Excel, uma fusão parece fazer sentido. Mas na cabeça do consumidor, marca não é célula de planilha. É memória, confiança e hábito. No fim, a Insinuante prova que nem todo ganho de escala compensa a perda de identidade. Quando você mata uma marca amada, não herda seus clientes. Muitas vezes, herda só o vazio que ela deixou. #CapitalDeMarca #FusoesEAquisicoes #creditodeconsumo ♬ som original – Fernando Miranda – Marketing
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