Ludmila Singa. Foto: Daniel Cerqueira

“Hoje, sou casa, não ruína.” É a partir dessa imagem de reconstrução que a escritora, atriz e slammer soteropolitana Ludmila Singa apresenta “Mulher Inteira”, livro de poemas publicado pela Solisluna Editora. A obra será lançada no dia 10 de outubro, às 18h, na Livraria Terra Libris, localizada no Cinema Glauber Rocha, em Salvador. O título já está em pré-venda pelo site da editora. Antes de chegar às páginas, “Mulher Inteira” foi construído como uma travessia pessoal.

A obra começou a nascer durante o processo de análise vivido pela autora, quando memórias da infância e da adolescência trouxeram questões que permaneciam difíceis de acessar. Parte dos poemas surgiu nesse período, enquanto outros textos já estavam escritos desde 2018 e permaneceram guardados, sem terem sido apresentados nos saraus, eventos e festivais literários dos quais participa há cerca de uma década.

Dividido em quatro movimentos, o livro percorre corpo, prazer, amor, amizade, luto, espiritualidade, ancestralidade, autonomia e renascimento. Em “Território Reconquistado”, a memória aparece como matéria para reconstrução e o corpo como espaço de retomada. “Corpo, Prazer e Palavra” amplia essa investigação para o desejo, a sexualidade e a liberdade, enquanto “O Amor, as Ruínas e o Reaprender” observa os vínculos a partir das experiências de encontro, ausência, ruptura, amizade e luto.

O percurso chega a “Revolução Silenciosa”, parte final da publicação, dedicada à autonomia e à reinvenção. Poemas como “Corpo Feito Reino”, “Arquitetas da Soberania”, “Inventar Sóis”, “Ferro e Flor” e “O Parto” conduzem a narrativa para uma ideia de soberania sobre a própria história. No último texto, a autora escreve: “Morro para renascer: a mulher que retorna é sempre maior do que a que partiu.”

A experiência de quase dez anos na cena do slam também atravessa a linguagem do livro. Integrante do Slam das Minas Bahia e ligada ao movimento hip hop e aos saraus, a poeta leva para a publicação uma escrita marcada pela oralidade e pela performance. Ao mesmo tempo em que parte de experiências íntimas, a obra amplia esse olhar para uma dimensão coletiva, especialmente a partir das vivências de uma mulher negra, seus desejos, silêncios, feridas e estratégias de sobrevivência.

No prefácio, a poeta Bell Puã destaca justamente essa passagem do individual para o coletivo, apontando como a escrita transforma experiências pessoais em reconhecimento compartilhado. O livro reúne ainda revisão e preparação de texto de Ayala Tude, projeto gráfico e diagramação de Sofia Canário e ilustrações de Raiana Britto.

Contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, “Mulher Inteira” foi realizado com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e executado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura. O lançamento em Salvador acontece no dia 10 de outubro, às 18h.

Ludmila Singa. Foto: Daniel Cerqueira

Onde mais encontrar o Anota Bahia:

📱 Redes: Instagram, Threads, Facebook, X e LinkedIn

💬 Canais: WhatsApp e Telegram

📰 Notícias: Google Notícias

🎥 Vídeos: YouTube