
Quando Monique Evelle encontrou Vinícius Carmezim no Shark Tank Brasil, não estava diante de uma história desconhecida. Antes mesmo do programa, a empresária já era cliente da Ziê, usava as bolsas e acompanhava o trabalho desenvolvido por Vinícius e sua mãe, Ailma.
O encontro diante das câmeras acabou aproximando duas trajetórias que partem de lugares diferentes, mas carregam uma relação profunda com origem, identidade e pertencimento. Monique construiu sua trajetória a partir da Bahia. Vinícius e Ailma transformaram dentro de casa uma história de família, trabalho e identidade em um negócio que passou a ocupar espaços na moda.
“Quando eu conheci a Ziê, eu já era cliente. Eu já usava as bolsas, já acompanhava o trabalho e já tinha uma relação de admiração com o que o Vinícius e a mãe dele estavam construindo. Então, quando me deparei com eles no Shark Tank, não era uma marca que eu estava conhecendo naquele momento. Eu já sabia do potencial que existia ali”, conta Monique.
A história da Ziê começou ainda na universidade, quando Vinícius procurava uma mochila que tivesse relação com quem ele era como homem negro, gay e das artes. Sem encontrar no mercado algo que correspondesse à sua identidade, levou a ideia para dentro de casa. A mãe, Ailma, que já trabalhava com costura para ajudar no sustento da família, ensinou o filho a costurar. Foi dentro desse ateliê que nasceu uma criação que, inicialmente, respondia a uma necessidade pessoal e que depois passou a despertar o interesse de outras pessoas.
O que começou entre mãe e filho ganhou novos caminhos e levou o trabalho da família a espaços como o São Paulo Fashion Week, a Semana de Moda de Milão, o Afro Fashion Day e o Afropunk. Mas, por trás desses espaços, permanece uma história que começou com a vontade de Vinícius de encontrar no que vestia e carregava uma representação de si mesmo.
É justamente essa construção a partir da própria experiência que aproxima Monique da história: “Também existe uma identificação muito grande entre mim e o Vinícius. Somos dois baianos, viemos de histórias diferentes, mas existe uma compreensão muito particular sobre território, identidade e sobre o que significa construir alguma coisa a partir da nossa própria visão de mundo. Acho que isso aproxima muito a gente”.
O encontro terminou com o investimento de Monique na empresa e continuou depois das câmeras. Os dois passaram a conversar sobre os próximos passos do negócio, que atualmente atravessa um processo de rebranding. “Já nos reunimos algumas vezes depois do Shark Tank e a revolução que ela está causando na minha vida, na de mainha e na Ziê é incrível”, revela Vinícius.
Para Monique, o que existe na história da Ziê vai além de uma oportunidade de negócio. É uma trajetória construída a partir de uma família, de uma experiência pessoal e de referências que não precisaram ser abandonadas para que a empresa pudesse crescer. “Uma das coisas que mais me chama atenção na Ziê é justamente essa mistura entre ancestralidade, criatividade, identidade e desejo. Existe uma produção manual, familiar, muito cuidadosa, e isso tem um valor enorme”, conta.

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