
As estratégias capazes de fortalecer a atuação dos municípios brasileiros diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas foram o centro do debate da primeira edição do “Diálogos de Alto Nível: Cidades e Ação Climática”. Promovido pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), o evento aconteceu na última terça-feira (4) e abordou como enchentes, secas, ondas de calor e deslizamentos deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a integrar a rotina das gestões municipais.
Durante a programação, a da secretária da Fazenda de Salvador, Giovanna Victer, mediou o painel “Mapa do Caminho: governos subnacionais na transição climática”, que reuniu especialistas para debater os principais desafios e oportunidades na implementação de políticas públicas voltadas à mitigação dos impactos ambientais e à adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos.
“As cidades já vivem os impactos da mudança do clima. O desafio agora é criar condições para financiar esses investimentos, dar transparência aos recursos aplicados e fortalecer o acesso dos municípios ao financiamento climático. Essa é uma agenda de desenvolvimento urbano, de responsabilidade fiscal e de justiça social”, afirmou Giovanna.
A secretária ressaltou ainda que a agenda climática exige abordagens distintas. Enquanto as ações de mitigação buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa, por meio de iniciativas como a eletrificação da frota de transporte público, as políticas de adaptação concentram esforços em preparar as cidades para enfrentar impactos que já são realidade.
Outro ponto abordado foi a necessidade de ampliar o acesso dos municípios a instrumentos de financiamento climático. Segundo a secretária, grande parte das linhas de crédito disponíveis ainda depende de operações onerosas, incompatíveis com a realidade fiscal de muitos municípios brasileiros. Nesse cenário, fundos climáticos voltados a projetos de resiliência urbana e redução de emissões representam uma alternativa estratégica para acelerar investimentos sustentáveis.
Giovanna Victer também defendeu que os municípios avancem na adoção de instrumentos de orçamento climático, capazes de identificar e acompanhar os investimentos destinados à mitigação e à adaptação dentro das peças orçamentárias. “Quando conseguimos identificar e mensurar os investimentos climáticos no orçamento público, fortalecemos o planejamento, ampliamos a credibilidade dos municípios e aumentamos as possibilidades de captar recursos junto a bancos multilaterais e fundos internacionais”, destacou.

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