
A Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou as eleições brasileiras de 2026 como uma jornada cívica e pacífica e elogiou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais. A avaliação faz parte do relatório preliminar divulgado pela entidade nesta terça-feira (6), após a presença de 91 observadores independentes no país.
Segundo o documento, a missão destacou a capacidade técnica, logística e organizacional da Justiça Eleitoral, além da participação de pesquisadores, acadêmicos e especialistas nos testes das urnas eletrônicas. O relatório também registrou o avanço do cadastro biométrico, que chegou a 89% desde as eleições de 2024, e a ampliação dos serviços digitais oferecidos aos eleitores, como o Autoatendimento Eleitoral e o aplicativo e-Título.
Apesar da avaliação positiva, a OEA apontou desafios observados durante o processo eleitoral. Entre eles estão o clima de tensão e forte polarização política, a judicialização de disputas, confrontos pessoais e a circulação de narrativas de desinformação destinadas a gerar desconfiança em relação à integridade do sistema eletrônico de votação.
O relatório também chamou atenção para a ausência de critérios jurídicos harmonizados na Justiça Eleitoral em relação ao uso de imagens reais ou produzidas por inteligência artificial de pessoas impedidas de participar da política, tanto em peças digitais quanto físicas.
Outro ponto mencionado foi a ausência de debates eleitorais entre os candidatos aos cargos de presidente e vice-presidente da República. A organização, no entanto, registrou a realização de diversos debates entre candidatos aos governos estaduais. A avaliação da OEA ocorre após uma campanha marcada pelo avanço do uso de inteligência artificial e pela circulação de conteúdos manipulados nas redes sociais. Levantamento divulgado antes do primeiro turno identificou 920 publicações com uso confirmado de IA, incluindo deepfakes, no período analisado.

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