

A Ilù Obirim, primeira orquestra da Bahia formada exclusivamente por mulheres negras, nasce do encontro entre musicistas de diferentes trajetórias, referências artísticas e culturais. O projeto promove um diálogo entre a música popular de matrizes afro-brasileiras e a música de concerto. A estreia vai acontecer neste domingo (26) com o concerto “Mulheres Negras em Sinfonia”, a partir das 17h, na Praça Maria Felipa, no Centro Histórico de Salvador, como parte da programação do evento Mulheres Negras em Movimento.
O espetáculo apresenta um repertório dedicado à riqueza da música afro-brasileira. O programa reúne obras de importantes artistas baianos com reconhecimento nacional e internacional, como Gilberto Gil e Luedji Luna, além de composições inéditas criadas especialmente para a orquestra.
Sob a curadoria da Mestra Mônica Millet, a Ilù Obirim traduz em linguagem sinfônica as múltiplas sonoridades das tradições afro-brasileiras, reafirmando a potência criativa e a representatividade das mulheres negras. A regência é da maestra Cristina Nascimento, com direção musical de Letícia Nascimento.
“A importância de um projeto voltado a mulheres negras fortalece a representatividade e o protagonismo calado por séculos. Toda voz vinda de mulheres e principalmente de mulheres negras foi e ainda é silenciada pela sociedade, mesmo que de forma velada. Uma Orquestra que prioriza instrumentistas e regente negras só fortalece o grande significado que estes segmentos tem como formadoras da sociedade e mostrando principalmente que podem e devem ocupar estes lugares na música, na regência e onde for preciso”, destacou Cristina Nascimento, ao Anota Bahia.
Ao reunir exclusivamente mulheres negras em uma formação orquestral, o projeto amplia espaços de representação, preserva saberes ancestrais e reafirma a música como instrumento de inclusão, memória e transformação social. O concerto contará ainda com a participação especial da soprano Irma Ferreira, cuja trajetória artística dialoga com a excelência técnica e a valorização da música de concerto produzida na Bahia.
Também em conversa com o site, Letícia reforçou a beleza que é traduzir os pilares da Ilú Obirim em musicalidade. Segundo ela, o processo é baseado em construir uma sonoridade que reflita a identidade, a ancestralidade e a potência das mulheres negras.
“Nossa música valoriza referências afro-brasileiras, dialoga com diferentes linguagens musicais e evidencia o protagonismo feminino negro em todos os espaços da criação e da performance. Cada arranjo busca expressar resistência, pertencimento, coletividade e excelência artística, mostrando que a música também é um instrumento de transformação social e de afirmação de novas narrativas”, afirmou.
Juntas, elas conduzem uma formação que fortalece a representatividade, amplia oportunidades de aprendizado e estabelece um diálogo entre tradição, cultura e arte como instrumentos de transformação social.

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