Porto da Barra. Foto: Jefferson Peixoto/Secom PMS

Um dos pontos turísticos mais conhecidos da capital baiana, o Porto da Barra, deve receber um sistema de sinalização náutica voltado à segurança dos frequentadores. O projeto, que avançou na Prefeitura de Salvador, prevê a instalação de uma linha de boias marítimas que irá delimitar a área exclusiva para banho e restringir a circulação de embarcações motorizadas próximas à faixa de areia. O pregão eletrônico já foi homologado e a próxima etapa é a assinatura do contrato com a empresa vencedora, para início da implantação.

As boias serão posicionadas a cerca de 80 a 100 metros da faixa de areia, criando um perímetro seguro para banhistas. Dentro desse espaço, não será permitida a navegação de lanchas, motos aquáticas e outras embarcações motorizadas. A medida responde a episódios recentes de invasão de embarcações em áreas de banho como Boa Viagem, Ribeira e o próprio Porto da Barra.

Segundo a Secretaria Municipal do Mar (Semar), o projeto piloto será implantado no Porto da Barra por se tratar de um dos principais cartões-postais da cidade e por concentrar grande fluxo de turistas ao longo do ano, especialmente no verão. Em fevereiro, a secretária Maria Eduarda Lomanto explicou ao Anota Bahia que a proposta é garantir uma maior segurança aos banhistas e melhorar o ordenamento do espelho d’água, garantindo que tenha lugar para todos no mar soteropolitano.

“Temos que começar a respeitar e ter o bom senso de olhar para o mar e olhar a nossa Baía de Todos-os-Santos sob todos esses aspectos. Buscamos poder proporcionar às famílias, e aos turistas, um banho tranquilo e em águas que são extremamente paradas, excelente para o mergulho”, afirmou.

Lomanto ainda apontou que o modelo adotado para a ação é consolidado com excelência em diversos lugares do mundo. Inclusive, a Fundação Baía Viva, presidida pela advogada e empresária Isabela Suarez, instalou uma estratégia similar na Ilha dos Frades. Para o futuro, Lomanto revela que a ideia inicial é dar continuidade ao projeto na Praia da Preguiça e na Praia da Ribeira.

A iniciativa também prevê a requalificação da rampa localizada ao lado do Forte de Santa Maria — fato também adiantado com exclusividade ao site pela secretária do mar. A área não contará com a presença das boias, visando oferecer um acesso adequado das embarcações, canoas e esportes náuticos, de forma a garantir a utilização do espaço sem afetar a dinâmica do banhistas e do ecossistema marinho existente.

“Com esse alto fluxo turístico que acontece, precisamos ter um cuidado com os banhistas. Temos feito todo um processo de educação e sensibilização, com os turistas e soteropolitanos, para não entrar no mar após ingerir bebidas alcóolicas e não entrar no mar que você não conhece. Tem a questão da profundidade, tem a questão das correntezas, então é preciso realmente ter um cuidado e essas boias são para aumentar a segurança de todos”, declarou Duda Lomanto.

Sustentabilidade e proteção

O projeto também vai ampliar a proteção do Parque Marinho da Barra, primeira unidade de conservação marinha municipal contígua ao continente, localizada entre o Farol da Barra e o Forte de Santa Maria. Em paralelo com as boias, também serão instaladas câmeras para o monitoramento do comportamento das embarcações. As imagens e informações captadas serão enviadas à Capitania dos Portos e a Coppa, para a identificação de irregularidades.

A aproximação de lanchas e jet skis gera riscos ao ecossistema marinho. Com a ação, a Semar também contribui para a preservação da rica biodiversidade da área, que concentra também um patrimônio cultural subaquático relevante, com três naufrágios históricos — sítios arqueológicos nacionais tombados.

Duda Lomanto. Foto: Renata Marques/Anota Bahia

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