
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou a inteligência artificial no centro de seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York. Diante de líderes de diversos países, o republicano rejeitou iniciativas para estabelecer uma governança internacional da tecnologia e afirmou que os Estados Unidos não pretendem limitar o avanço da IA.
Trump afirmou que os Estados Unidos rejeitam “qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar a inteligência artificial” e defendeu a liderança norte-americana na corrida tecnológica. Segundo o presidente, o país está à frente da China e pretende manter essa vantagem. Ele também declarou que não vai “sufocar o crescimento” de uma tecnologia que, em sua avaliação, poderá ter impacto superior ao da Revolução Industrial.
A posição contrasta com o movimento de outros países e da própria ONU em defesa de mecanismos internacionais de acompanhamento da IA. Na abertura da Assembleia Geral, o secretário-geral António Guterres incluiu a tecnologia entre os grandes desafios globais e defendeu cooperação internacional, transparência e mecanismos de governança diante do avanço acelerado dos sistemas.
Outro ponto que chamou atenção foi a proposta de mudança no nome da tecnologia. Trump afirmou que documentos oficiais do governo norte-americano passarão a utilizar o termo “superinteligência” no lugar de “inteligência artificial”. A justificativa apresentada pelo presidente foi que a palavra “artificial” faria a inteligência parecer falsa.
O discurso acontece em um momento de forte disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Enquanto Washington busca ampliar sua influência sobre o desenvolvimento da IA, diferentes países discutem regras para acompanhar questões relacionadas à segurança, autonomia dos sistemas e impactos econômicos e sociais da rápida expansão do setor.
Na segunda-feira (21), mais de 20 países defenderam uma supervisão internacional mais rigorosa da inteligência artificial. Estados Unidos e China ficaram fora do documento, evidenciando a divisão em torno de como a tecnologia deve ser desenvolvida e governada nos próximos anos.

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