Museu Carlos e Margarida Costa Pinto. Foto: Divulgação.
Museu Carlos e Margarida Costa Pinto. Foto: Divulgação.

Localizada no Corredor da Vitória, o Museu Carlos e Margarida Costa Pinto reúne 3.176 peças que ajudam a compreender aspectos da vida e dos costumes da sociedade entre os séculos XVII e XX. O acervo inclui mobiliário, prataria, porcelanas, cristais, pinturas, esculturas e joias, entre outros objetos.

A história do museu começa com uma história de amor, unida pela paixão pela arte e pelo colecionismo. Casados desde 1913, Carlos de Aguiar Costa Pinto e Margarida Ballalai de Carvalho Costa Pinto compartilhavam o interesse por objetos artísticos e decorativos. Ao longo de mais de duas décadas, Carlos reuniu uma coleção expressiva com o desejo de transformá-la em um museu, projeto que não chegou a concretizar em vida.

Após a morte do marido, em 1946, Margarida assumiu a tarefa de transformar esse sonho em realidade. Dedicou-se à preservação do acervo, mobilizou pessoas em torno do projeto e, em 1968, criou a fundação que tornou possível a abertura da instituição. Para viabilizá-la, doou a coleção, o terreno e a casa onde o museu funciona até hoje. Inaugurado em 5 de novembro de 1969, o espaço deu continuidade ao projeto do casal e transformou uma coleção particular em patrimônio aberto ao público.

O reconhecimento do papel de Margarida começou a ganhar expressão também no nome da instituição, em 2024, quando ela passou a integrar a denominação oficial. A campanha reafirma a identidade histórica da instituição como museu de artes decorativas e valoriza uma atuação que vai além da conservação e exibição das peças. A proposta é ampliar as possibilidades de pesquisa, interpretação e difusão desse patrimônio, aproximando o acervo de diferentes públicos.

“Queremos que o Museu seja reconhecido não apenas como o lugar de uma importante coleção histórica e artística, mas como uma instituição viva, dedicada ao estudo, à preservação, à pesquisa, à interpretação e à difusão das artes decorativas. Um museu que, a partir da Bahia, investiga também suas conexões com Europa, África, Ásia e outros territórios envolvidos nas rotas comerciais e culturais que ajudaram a formar nossa cultura material”, afirma Bárbara Santos, museóloga e diretora executiva da instituição.

Essa perspectiva também se reflete na leitura do acervo. Entre os destaques estão as 923 peças de prataria e um conjunto de 157 joias historicamente conhecidas como “joias de crioulas”, renomeadas por pesquisa pelo Museu como Joias de Liberdade, o maior conjunto em Museus no mundo.

Produzidos em ouro e prata, esses adornos ajudam a compreender experiências de mulheres negras livres e libertas na Bahia dos séculos XVIII e XIX, incluindo formas de afirmação social, identidade e liberdade. A coleção reúne ainda porcelanas chinesas, cristais europeus e mobiliário brasileiro, peças que revelam a circulação de objetos, técnicas e referências culturais entre diferentes territórios.

Carlos e Margarida Costa Pinto. Foto: Divulgação/MCMCP

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