
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, chegaram a um acordo para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ambos. O entendimento foi formalizado nesta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e prevê a divulgação simultânea das informações, a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
O documento foi apresentado pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, e assinado pelo presidente e pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, representante jurídica da equipe de Flávio. A efetivação da medida, porém, depende de autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no TSE. A solicitação prevê que os dados sejam requisitados às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, com posterior divulgação em plataforma pública.
O acordo também abrange familiares e empresas vinculadas aos candidatos, conforme as autorizações apresentadas pelas campanhas. Lula aceitou as 19 condições estabelecidas por Flávio para ampliar o alcance da divulgação, incluindo informações de pessoas próximas ao presidente e registros relacionados à estrutura do governo.
Um dos principais pontos de divergência foi a inclusão da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, ligada ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo de Flávio. A campanha petista defendeu que os dados relacionados à empresa também fossem contemplados. Segundo informações apresentadas pela equipe de Lula ao TSE, registros investigados pela Polícia Federal indicariam uma ligação de Flávio com uma conta bancária da companhia. A questão foi incluída nas negociações entre as equipes.
A discussão teve início no debate realizado pela TV Band no domingo (18), quando Lula desafiou o adversário a autorizar a divulgação de informações financeiras e telefônicas. Flávio apresentou condições para aceitar a proposta, ampliando o alcance dos dados que deveriam ser disponibilizados pelos dois lados.
A abertura dos sigilos ainda depende da decisão judicial, e a divulgação efetiva das informações não havia sido confirmada até a última atualização consultada.

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