Aguidavi do Jêje. Foto: Diego Bresani

No dia 13 de novembro, Salvador recebe o espetáculo “Encontro Ancestral”, que reúne Aguidavi do Jêje, Chico César, BaianaSystem e Ilessi na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. A apresentação coloca no centro do palco uma formação composta por 14 ogãs, mais de 18 instrumentos e 15 atabaques confeccionados artesanalmente por Luizinho do Jêje no Terreiro do Bogum, em um encontro entre uma tradição musical de mais de três séculos e diferentes caminhos da música brasileira.

Sob direção musical de Luizinho do Jêje e Kainã do Jêje, a formação combina os ritmos da nação Jêje-Mahi a novas levadas e arranjos criados para o encontro com cada artista. A apresentação marca o encerramento do projeto, que leva a linguagem do Aguidavi para encontros com diferentes artistas.

Em Salvador, Chico César, BaianaSystem e Ilessi entram nesse universo musical a partir de suas próprias trajetórias. O formato é parte central da proposta do espetáculo: os convidados estabelecem um diálogo com o Aguidavi, tendo seus repertórios atravessados pela linguagem percussiva do grupo. Cada encontro parte das características dos artistas e ganha novos arranjos a partir da força dos atabaques e da experiência musical dos integrantes do Aguidavi.

“Já havia uma conexão muito forte entre nós, construída em encontros anteriores. A música do Aguidavi do Jêje tem uma origem religiosa e a minha parte de uma perspectiva secular, mas ambas se encontram na tradição e na ancestralidade africana. A música brasileira tem uma relação profunda com as matrizes musicais africanas e não há como separar a nossa música dessa tradição que vem dos terreiros. São elementos que muitas vezes estão presentes de forma sutil, mas, quando acontece um encontro como esse com o Aguidavi, essa conexão fica explícita”, afirma Chico César.

A apresentação em Salvador ganha uma dimensão especial por acontecer no território onde essa tradição musical foi preservada e transmitida entre gerações. Os tambores do Aguidavi carregam conhecimentos que atravessam mais de três séculos no Terreiro do Bogum, um dos mais antigos terreiros de Candomblé do Brasil. É nesse espaço que os integrantes do grupo, todos ogãs, mantêm vivos conhecimentos construídos pela escuta, pela oralidade e pela prática.

Os ritmos da nação Jêje-Mahi estão entre as principais matrizes dessa tradição, que chega ao palco sem perder sua relação com o território e com os fundamentos que a originaram. Em Encontro Ancestral, esses conhecimentos tornam-se ponto de partida para novas criações e para o diálogo com diferentes expressões da música brasileira contemporânea.

“É de uma importância muito grande para a gente mostrar nossa música de raiz, nossa composição e nossa batida, que vêm do terreiro de Candomblé da nação Jêje. O Encontro Ancestral é uma oportunidade de levar essa música para o mundo e, ao mesmo tempo, encontrar artistas de diferentes estilos e criar novas levadas para suas canções, trazendo a nossa linguagem dos atabaques. Foi um processo de muita dedicação e cuidado, e o resultado é um projeto muito autoral, que encanta o público e mostra a força da nossa raiz e da nossa cultura”, destaca o Aguidavi do Jêje.

A trajetória do grupo ganhou projeção internacional em 2024, quando se tornou a primeira orquestra afro-percussiva com um álbum indicado ao Grammy Latino. O reconhecimento ampliou a visibilidade de um trabalho desenvolvido a partir da valorização das matrizes africanas e da preservação de conhecimentos musicais transmitidos ao longo de gerações.

BaianaSystem. Foto: @brunnomartins
Chico Cesar. Foto: José de Holanda
Ilessi. Foto: João Atala

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