
Em preparação para sua 13ª edição, o Festival de Jazz do Capão transforma o Vale do Capão, na Chapada Diamantina, em território de encontros, escutas e novas experiências musicais. O evento retorna ao Circo do Capão, em Palmeiras, com programação gratuita nos dias 18 e 19 de setembro, e shows de artistas que representam diferentes vertentes da cena musical brasileira. A curadoria conduzida por Rowney Scott continua com o direcionamento de trazer artistas inéditos para o festival, tentando abarcar a maior variedade possível de expressões artísticas.
A abertura no dia 18 de setembro, a partir das 19h, é um convite a essa descoberta de talentos, com o show da Mostra UFBA trazendo o baterista Victor Brasil, que apresenta o seu primeiro show solo, acompanhado por Davi Ribeiro no trompete, Nino Bezerra no baixo e Jorge Solovera na guitarra.
O segundo show da noite de sexta, é do Quarteto Emmbra com as instrumentistas Aline Gonçalves (clarinete e flauta), Louise Woolley (piano), Camila Rocha (contrabaixo) e Julia Rodrigues (bateria). O grupo nasce do projeto Emmbra – Escritas Musicais de Mulheres Brasileiras e mostra a diversidade estética e a potência da produção musical feminina brasileira.
Para fechar a primeira noite, Tiago Nunes e Alana Gabriela apresentam “Orí Mejí”. No show, os dois percussionistas baianos reúnem suas pesquisas, referências e vivências para dar forma a uma sonoridade própria. O conceito atravessa o palco, em composições autorais e releituras, a partir de diferentes timbres, texturas e dinâmicas. Construindo paisagens sonoras que dialogam com as matrizes afro-brasileiras, a música instrumental e a criação contemporânea.
No sábado, 19 de setembro, o FJC recebe a Mostra Capão, espaço dedicado à valorização da produção musical local, com artistas reconhecidos por seus talentos e contribuições para a identidade musical do território. Ari Vinícius Quinteto apresenta composições autorais que integram seu primeiro álbum, atualmente em fase de gravação. O grupo constrói uma sonoridade rica em diálogos, improvisação e nuances rítmicas.
Em seguida, Isa fLautaro apresenta um show que une composição e improvisação. O repertório inclui adaptações do álbum “What’s Next”, além de composições inéditas e obras de Gustavo Rocha. No palco, Isa será acompanhado por Bruno Lavorini no violão de 7 cordas, Guilherme Luz no baixo, Gustavo Rocha na bateria e Leandro Mendes na percussão, em um concerto que traduz a sua identidade sonora e cultural, como músico do Capão.
A segunda atração, a partir das 18h, é o show “Daniel Santiago Convida”, criado especialmente para o evento num encontro inédito, marcado pela afinidade musical e liberdade criativa. Daniel reúne no palco Guto Wirtti (contrabaixo), Bruno Aranha (teclados) e Reinaldo Boaventura (percussão) para transitar entre composições autorais de Daniel Santiago e releituras de composições de Heitor Villa-Lobos, Nelson Ângelo e Caetano Veloso.
O palco também recebe Nilton Azevedo e Lucas Decliê em um show que reúne esse encontro inédito com os dois saxofonistas, transitando por seus novos trabalhos autorais e colaborando nessa perspectiva de duo; além de reverenciar suas influências na música instrumental com o foco sempre voltado para a improvisação. Eles serão acompanhados de Alexandre Vieira (baixo), Jordi Amorim (guitarra) e Beto Martins (bateria).
O encerramento do Festival contará com a cantora e pesquisadora musical Ilessi com o show “Atlântico Negro”, no qual apresenta um concerto em que a canção brasileira se abre para a improvisação, o diálogo coletivo e a liberdade criativa. O repertório reúne composições autorais, recriações de obras de importantes compositores brasileiros e cantos de tradição oral, conduzidos por uma linguagem que transita entre a música brasileira contemporânea e o jazz.
Expressões artísticas em sintonia com a natureza
A programação também inclui dois workshops, o primeiro dia 18 de setembro, às 14h, chamado “UPB e claves afrobrasileiras – iniciação ao método de Letieres leite”, com os percussionistas Tiago Nunes e Alana Gabriela. E o segundo, no dia 19 de setembro, às 14h, intitulado “Mulheres compositoras” com as integrantes do Quarteto Emmbra, ambos gratuitos no Coreto da Vila.
A proposta dialoga com a própria essência do Festival de Jazz do Capão, que desde sua criação busca fazer reverberar expressões artísticas capazes de provocar, sensibilizar e inspirar. Música, cultura, natureza e reflexão sobre o mundo contemporâneo se encontram em uma programação atenta às questões socioculturais, ambientais e geopolíticas que atravessam o tempo.
“Essa ‘fórmula’ de promover encontros inéditos como forma de fomentar uma produção musical fresca, encontrou em 2026 um ano fértil e propício. Quando me dei conta, já tinha feito alguns convites que deram certo e que, no final das contas, estão dando o tom artístico para a programação deste ano. Tiago e Alana, Nilton e Lucas, Daniel convida, e o próprio quarteto Emmbra, encontro recente entre mulheres instrumentistas e compositoras”, conta o diretor artístico do festival, Rowney Scott.




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