Flávio Bolsonaro. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Menos de 24 horas depois de afirmar que nunca pensou em deixar território brasileiro, o candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil, nesta terça-feira (27), em direção aos Estados Unidos. O senador está acompanhado da esposa Fernanda e das filhas, Luiza e Carolina. Autoridades estadunidenses confirmaram que o parlamentar está a caminho do país e a expectativa é que ele faça a solicitação de “asilo político” junto ao governo de Donald Trump.

A saída acontece após Flávio ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, a partir de determinação assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em meio a dois inquéritos que investigam o filho “01” de Bolsonaro. O ex-candidato não entregou os documentos no prazo estabelecido e a corporação cancelou seus passaportes ainda nesta manhã. A decisão de Moraes ainda o proíbe de deixar o território brasileiro e de manter contato com o advogado Willer Tomaz.

Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a saída foi viabilizada por membros próximos do clã Bolsonaro, de maneira restrita para evitar vazamentos. Os aliados no Brasil ficaram responsáveis por organizar a saída do país, enquanto os que moram nos EUA vão agilizar sua entrada.

Desde o início da manhã desta terça (27), as autoridades suspeitavam de uma possível fuga do parlamentar, após o site argentino Infobae publicar que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina, em Porto Iguazú, e planejado seguir para os Estados Unidos em um avião particular. As suspeitas apontam que ele viajaria a bordo de um Gulfstream G400, registro LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A.

Durante todo o dia foi relatado que a equipe jurídica de Flávio não estava conseguindo contato com o parlamentar e que os aliados do senador avaliam a especulação de fuga como negativa.

Em meio ao caso, o governo brasileiro acionou as autoridades argentinas sobre o risco de fuga e para aferir registros. A Casa Rosada havia informado não ter registrado, até o momento, a entrada de Flávio no país. No início da tarde, o porta-voz da sede da presidência da República Argentina, Adrián Ravier, afirmou que o ex-candidato não pediu asilo ao governo de Javier Milei.

Cancelamento dos passaportes

Candidato derrotado à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes. A ação aconteceu após o parlamentar prestar uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando foi surpreendido pelos agentes na porta da residência, em Brasília, na última segunda-feira (26).

A determinação foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em meio a dois inquéritos que investigam o filho “01” de Bolsonaro. A decisão ainda o proíbe de deixar o território brasileiro e o cancelamento de todos os passaportes, incluindo o diplomático.

Flávio expôs que a decisão ainda foi motivada por uma fala do seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que o recomendou a deixar o país caso perdesse a eleição. A fala aconteceu no dia 23 de outubro, durante programa nos Estados Unidos.

O senador reforçou que nunca pensou em deixar território brasileiro e assegurou que entregará os documentos e se defenderá da intimação. Ele ainda classificou a ação como uma “clara tentativa” de o intimidar, e que ninguém vai o calar.

Investigações em curso

Ele é alvo de uma operação que apura uma suspeita de lavagem de dinheiro, junto ao advogado Willer Tomaz. A investigação foi iniciada pela PF do Rio Grande do Sul, que encontrou e-mails que apontavam Flávio como “usuário master” de uma conta bancária de uma empresa de Tomaz, a Alcazar Holdings.

Posteriormente as apurações foram enviadas ao STF, devido ao foro privilegiado do senador, e estudam a utilização das empresas e de casas de apostas no esquema para evasão de divisas. A PF apontou viagens custeadas por outra empresa de Tomaz, a Cathedral, como indício de vínculo entre os dois.

O parlamentar também está no centro de outro inquérito que investiga sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. No processo comandado pelo ministro André Mendonça, os investigadores apontam que o senador manteve contato com o ex-banqueiro para obter recursos destinados à gravação do longa.

Flávio nega qualquer irregularidade dentro do processo e afirma que os recursos foram de natureza privada. No entanto, a PF solicitou uma prorrogação por mais 90 dias para continuar as investigações. A corporação defende que é necessário realizar mais análises e se aprofundar nas diligências para esclarecer a origem dos valores e outras irregularidades na transação.

Fernanda e Flávio Bolsonaro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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