
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise financeira e política provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A decisão foi comunicada enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo. A crise começou após o Banco Central paraguaio intervir no Ueno Bank, que possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes. A instituição apresentou problemas de solvência e irregularidades financeiras, deixando milhares de correntistas sem acesso imediato às suas economias. O banco também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos.
O episódio ganhou dimensão política diante das relações empresariais anteriores de Peña com o Grupo Vázquez, antigo controlador da instituição. O presidente foi acionista de uma empresa ligada ao grupo até março de 2025 e passou a ser questionado pela oposição sobre possíveis conflitos de interesse e a gestão dos recursos públicos. Ele nega irregularidades. A situação provocou manifestações nas ruas de Assunção, a detenção de oito executivos ligados ao banco e a renúncia do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
Horas após o anúncio da saída de Peña, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment. A decisão foi encaminhada ao Senado, que ainda precisa analisar a medida. Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir o comando do país e concluir o mandato, previsto até agosto de 2028. A saída de Peña ainda depende de formalização pelo Congresso paraguaio.
Em pronunciamento, o presidente afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade nacional, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Também pediu desculpas à população e defendeu que os recursos dos correntistas sejam devolvidos. A crise representa um dos episódios mais graves da política paraguaia nos últimos anos e coloca em discussão a fiscalização do sistema financeiro e a relação entre instituições bancárias e o poder público.

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